Os desafios da acessibilidade no transporte e nas ruas mostram que garantir o direito de ir e vir também é promover a inclusão.
Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira.
Na França, no dia 22 de setembro de 1997, ativistas e políticos locais propuseram a criação do Dia Mundial Sem Carro, buscando fazer com que a população refletisse sobre o uso excessivo de veículos particulares e suas implicações no meio ambiente. A data é o ponto alto do Mês da Mobilidade, período em que são realizadas diversas palestras e eventos públicos ao redor do mundo, com o objetivo de ampliar a conscientização sobre o tema.
A importância do transporte público para locomover a população de qualquer cidade é indiscutível, principalmente aqueles que são acessíveis a todos. No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146), em vigor desde 2015, garante a acessibilidade no transporte, adaptando os veículos com rampas acessíveis; assentos preferenciais; sistema de aviso sonoro e visual; pisos táteis, entre outras modificações.
Essas mudanças são essenciais para a mobilidade urbana, mas são ainda mais necessárias para garantir a autonomia de pessoas com deficiência. Em sua matéria “Transporte público acessível: direito para a mobilidade e inclusão”, o blog “Freedom” revela as implicações dessa acessibilidade:
“O transporte público acessível promove independência, fortalece a autoestima e amplia as possibilidades de participação social. […] Investir em transporte público acessível não é apenas cumprir uma obrigação legal, mas assumir um compromisso social com a inclusão.”
Apesar da existência da lei, a mobilidade urbana da maior cidade do Brasil, São Paulo, ainda está longe de ser a ideal. Segundo uma pesquisa realizada pelo IBOPE em 2018, o transporte coletivo é o local onde as pessoas com deficiência mais sofrem com o preconceito. Segundo os dados levantados pela pesquisa, “63% dos entrevistados afirmam que já sofreram e/ou presenciaram preconceito contra pessoas com deficiência no transporte público.”
Além disso, a matéria também apresenta um gráfico, mostrando a avaliação do público na acessibilidade no transporte e nas calçadas, identificando uma falha maior na acessibilidade nas ruas.

Em 2016, o engenheiro Bruno Mahfuz, cadeirante desde 2002, após um acidente de carro, criou o aplicativo “Guia de Rodas”, que tem como objetivo mapear e avaliar colaborativamente a acessibilidade de locais para ajudar pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, idosos e gestantes. “O software utiliza um sistema de avaliações prático e simples, dividido em cores para classificar o nível de acessibilidade do local”, como indicado pelo portal “Medium”, em sua matéria sobre mobilidade urbana.
A contribuição de Bruno para a acessibilidade na mobilidade de PcDs é um marco na história do país, sendo reconhecida internacionalmente após o engenheiro ser premiado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) no Innovators Under 35, no México, em 2018.
Ao pensar em mobilidade, é importante lembrarmos que ela é um direito, não um favor. A acessibilidade deve permitir que todos possam circular pela cidade com autonomia e segurança. E, como resume o lema de Bruno Mahfuz na criação de seu aplicativo: “Quando uma ideia é boa, é boa para todos”.
