Capacitismo: reconhecer para combater

Na semana do Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, entenda como essa forma de preconceito se manifesta e por que dar visibilidade à discussão é um passo importante para a inclusão.

Por: Manuela Mineiro & Douglas Ferreira

No dia 21 de setembro de 1982, O Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes (MDPD), em uma de suas reuniões, estabeleceu a data como um marco de mobilização e reivindicação por direitos e luta contra o capacitismo. Embora a data tenha sido marcada no século passado, só em 2005, por meio da Lei nº 11.133, o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído no calendário nacional.

A luta contra o capacitismo é crucial no avanço de uma sociedade mais inclusiva. Segundo o portal oficial do Senado Federal, Capacitismo é:“uma forma de preconceito e discriminação social praticados contra pessoas com deficiência, baseado na crença errônea de que corpos, mentes ou habilidades dentro de um padrão considerado ‘normal’ são superiores.” Essa discriminação pode ocorrer de diversas formas, como a infantilização ou pena; falta de acessibilidade; ajuda não solicitada e, principalmente, por meio de piadas e brincadeiras exageradas que reforçam estereótipos.

Em 2023, o humorista Léo Lins recebeu uma série de processos jurídicos, referentes ao seu show de stand-up, publicado no YouTube, intitulado “Perturbador”. Ele enfrentou acusações de piadas capacitistas e preconceituosas. Em suas redes sociais, o influenciador Ivan Baron, portador de deficiência física e mobilidade reduzida, publicou uma nota de repúdio por ter sido citado na apresentação de stand-up:

“Chegou até a mim um vídeo em que o humorista, durante o seu show, se refere à minha pessoa de maneira extremamente ofensiva, imitando minhas características físicas, o jeito que eu falo e movimentos corporais, tudo com o objetivo de estereotipar para fazer com que a sua plateia dê risada em cima da condição que possuo. […] Esses atos são criminosos e não podem mais ser tolerados nos tempos em que vivemos.”

O humorista não se pronunciou sobre o caso e, na época, foi condenado a oito anos e três meses de prisão pela Justiça de São Paulo. Contudo, em fevereiro de 2026, foi absolvido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). A defesa de Léo Lins alegou liberdade de expressão e liberdade artística.

Apesar do ocorrido, Ivan se diz contente com o retorno dos seguidores, que demonstram solidariedade. Ao portal Folha de São Paulo, ele disse: “Tem muita gente que não aguenta mais ver o capacitismo ser algo comum e quer, sim, justiça.”

A discussão do caso na mídia demonstra como práticas capacitistas vêm ganhando maior repercussão no cenário nacional. É a partir dessas discussões que nós, como sociedade, damos um passo maior no combate ao capacitismo. Pensando nisso, reunimos algumas expressões consideradas capacitistas, usadas no dia a dia, e outras expressões não preconceituosas que podem substituí-las:

 

Expressão Capacitista Por que é problemática? Alternativa Correta
“Deu uma de João sem braço.” Usa a falta de um membro como sinônimo de preguiça ou malandragem.

“Fingiu que não viu”,

“Evitou a responsabilidade”.

“Você está cego/surdo?” Usa uma condição sensorial como xingamento ou crítica à desatenção de alguém.

“Você não prestou atenção?”,

“Você não ouviu?”.

“Que mancada!” Associa o ato de mancar (deficiência física) a um erro ou falha.

“Que erro!”, “Que vacilo!”,

“Que situação ruim”.

“Estar surdo para os apelos.” Associa a surdez à falta de empatia ou teimosia.

“Ignorar os apelos”,

“Não dar ouvidos”.

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