Dia Mundial do Tradutor e Intérprete: como atuam os profissionais de Libras?
Entenda o papel dos TILS na mediação entre línguas e na garantia de uma comunicação plena para pessoas surdas.
POR: Henrique Regado & Douglas Ferreira.
A Língua Brasileira de Sinais, a LIBRAS, é a língua de sinais usada pela comunidade surda no Brasil. A Lei nº 10.436/2002 define a Libras como: “um sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria”, ou seja, possui regras de organização e funcionamento autênticas e independentes (gramática, frases, expressões e até gírias), que não dependem da estrutura de outra língua. A Libras foi originada e aprendida de forma espontânea e natural pelos surdos.
A utilização da Libras também envolve a atuação de tradutores e intérpretes, profissionais que realizam a mediação entre línguas e contribuem para a comunicação acessível entre pessoas surdas e ouvintes. Nesse sentido, no dia 30 de setembro, é celebrado mundialmente o Dia do Tradutor e do Intérprete. A data foi escolhida em homenagem a São Jerônimo, sacerdote conhecido por traduzir a Bíblia do hebraico para o latim, que faleceu nesse mesmo dia, em 420 E.C.
Tradutores e intérpretes são chamados de TILS (Tradutor Intérprete de Línguas de Sinais), termo que vale não só para quem trabalha com Libras, mas para qualquer outra Língua de Sinais. Também é importante ressaltar que existe uma diferença entre o trabalho de cada um. Vinícius Oliveira, intérprete da SHOWCASE, explica: “O tradutor vai trabalhar, principalmente, com registros e textos escritos. […] Já o intérprete, ele atua na comunicação em tempo real.” O trabalho do tradutor permite mais tempo para estudar e manejar o material para fazer a melhor escolha tradutória, enquanto o intérprete geralmente trabalha com a tradução oral simultânea, que acontece ao vivo, como em palestras, reuniões e outros eventos.

Vinícius acrescenta que, no caso da Libras, o intérprete deve ir muito além da simples tradução de palavras: “O intérprete também precisa compreender que não são apenas as palavras. Tem um contexto, tem a expressão facial, corporal, recursos linguísticos utilizados ali dentro da comunicação.”
| TRADUTOR | INTÉRPRETE | |
| COMO ATUA? | Transfere uma língua para Libras (ou o contrário) a partir de materiais já registrados. | Realiza a tradução oral em tempo real, acompanhando a produção da fala ou da sinalização. |
| MATERIAL | Pode trabalhar com conteúdos escritos, em áudio ou em vídeo. | Atua principalmente em situações comunicativas presenciais ou ao vivo, como palestras, reuniões e eventos. |
| MOMENTO DO TRABALHO | Após o desenvolvimento do material. | Simultâneo; em tempo real. |
| POSSIBILIDADE DE REVISÃO | Permite análises, correções e alterações antes da versão final. | Por ocorrer em tempo real, não há a possibilidade de revisar e alterar a interpretação antes de transmiti-la. |
Ainda que diferentes, um mesmo profissional pode ser tanto tradutor quanto intérprete. Presentes e próximos do cotidiano das pessoas surdas, os TILS estão inseridos em um contexto de grande responsabilidade na comunidade surda, opina Vinícius: “Nesses meus 20 anos atuando com Libras, eu percebo que o intérprete tem uma grande responsabilidade: conhecer profundamente as línguas com as quais trabalha, compreender os diferentes contextos e, principalmente, estar inserido junto com a pessoa surda, sua identidade, sua cultura e seu direito de se comunicar.”
Para ele, a importância dos TILS passa por permitir mais autonomia e uma comunicação plena para pessoas surdas, ao garantir que tenham acesso às informações em suas línguas próprias.
“Meu trabalho, ele não é só passar sinais ou palavras soltas, mas fazer com que o surdo consiga compreender e participar de uma forma total”, afirma o intérprete.
