Diversidade e acessibilidade de mãos dadas na 30ª Parada LGBTQIAPN+

LGBTQIAPN+

A transmissão do evento com recursos inclusivos ampliou o acesso à informação e reforçou a importância da representatividade. Por: Manuela Mineiro A 30ª Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo, realizada em 7 de junho de 2026, teve como tema “A rua convoca e a rua confirma”, destacando a importância da inclusão, da visibilidade e da defesa de direitos diante das recentes tentativas de retrocessos e restrições. O evento celebrou três décadas de história ocupando a Avenida Paulista, reforçando o fato de ser uma das maiores manifestações em defesa da diversidade do mundo. Para aqueles que não puderam comparecer presencialmente, a DiaTV — canal de televisão via streaming brasileiro operado pela Dia Estúdio — transmitiu gratuitamente o evento em seu canal no YouTube, diretamente do Teatro YouTube, também localizado na Avenida Paulista, das 12h às 18h. A programação incluiu cobertura dos bastidores, entrevistas, flashes da celebração e apresentadores espalhados pela avenida atuando como repórteres. Além disso, a transmissão contou com intérprete de Libras e com o recurso de Closed Caption. O especialista em recursos de Libras para transmissões audiovisuais da SHOWCASE PRO, Wesley Lopes, na matéria “Dos rascunhos à prática: acessibilidade como compromisso social“, explicou a importância da presença de intérpretes de Libras em grandes transmissões: “Esse serviço é essencial na vida do surdo, pois ele se sente incluído na sociedade. Além disso, há muitas coisas que a pessoa com deficiência auditiva deixa de consumir por não ter interpretação em Libras, o que é uma pena“, afirmou. Fernando Campos, autor do livro “Enxergando Além do Atlântico” e ativista das causas LGBTQIAPN+ e das pessoas com deficiência, homem gay e deficiente visual, também ressaltou a importância da acessibilidade no audiovisual durante participação no programa “#SemCensura”, em trecho compartilhado em uma de suas redes sociais: “A acessibilidade precisa parar de ser uma meta e se tornar prática. Porque acessibilidade não é um favorzinho.” O escritor destacou a necessidade de combater o capacitismo e de desmistificar a acessibilidade, compreendendo-a como um direito fundamental. As reflexões apresentadas pelos especialistas dialogam diretamente com iniciativas como as adotadas na transmissão da 30ª Parada do Orgulho LGBTQIAPN+. Ao disponibilizar recursos de acessibilidade, a cobertura ampliou o acesso à informação e permitiu que mais pessoas acompanhassem o evento, mesmo à distância. A discussão também reforça a importância da representatividade de pessoas LGBTQIAPN+ com deficiência na cultura e no audiovisual, como ocorre no filme “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho“, citado pelo blog na matéria “Dia do Cinema Brasileiro: a importância de ver e se ver nas telas“. A obra apresenta um protagonista gay e cego, demonstrando como diversidade e inclusão podem caminhar juntas e contribuir para que públicos cada vez mais diversos se reconheçam nas narrativas audiovisuais. A cobertura da 30ª Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo evidencia que a promoção da diversidade deve estar acompanhada do compromisso com a acessibilidade. Mais do que ampliar o alcance de uma transmissão, recursos como Libras e Closed Caption garantem que diferentes públicos possam participar, acompanhar e se reconhecer em um evento que celebra a pluralidade. Em um momento em que a defesa de direitos e da inclusão se mostra cada vez mais necessária, iniciativas como essa demonstram que construir espaços verdadeiramente diversos também significa torná-los acessíveis para todos.

Dia do Cinema Brasileiro: a importância de ver e se ver nas telas

Dia do Cinema

Na semana que celebra a sétima arte no país, ferramentas modernas integram Libras, audiodescrição e legenda para garantir autonomia ao público PcD. Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira. Nesta sexta-feira, dia 19 de junho de 2026, é celebrado o Dia do Cinema Brasileiro. A data marca a primeira vez que imagens em movimento foram gravadas com um cinematógrafo — um dispositivo mecânico acionado por uma manivela — no território nacional. As primeiras imagens, gravadas pelo italiano Afonso Segreto, capturaram o cenário da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Desde então, o cinema passou por diversas transformações tecnológicas e culturais. No entanto, a garantia de acesso às pessoas com deficiência (PcDs) só ganharia força mais de um século após a chegada do cinema ao Brasil. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), sancionada em 2015, enfim estabeleceu normas destinadas a assegurar e promover o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais das pessoas com deficiência, visando sua inclusão social e cidadania. No audiovisual, a acessibilidade é garantida principalmente por três recursos fundamentais, como indicado pelo blog “TecMundo”, em sua matéria “Como é a acessibilidade no meio audiovisual?”. • Audiodescrição (AD): narração que descreve imagens, cenários, ações e expressões para pessoas com deficiência visual; • Legenda Descritiva: textos que apresentam diálogos e identificam sons, ruídos e efeitos sonoros para pessoas com deficiência auditiva; • Libras (Língua Brasileira de Sinais): tradução visual do conteúdo para a língua de sinais. Com a ampliação da acessibilidade nas salas de cinema, o público passou a compreender melhor a importância desses recursos. Em uma matéria para o blog “Extra Classe”, a professora Lívia Motta, criadora do primeiro curso de formação para audiodescritores da USP, define a audiodescrição como “a arte de transformar aquilo que é visto no que é ouvido”, permitindo que pessoas com deficiência visual tenham acesso a informações sobre cenários, figurinos, expressões faciais, linguagem corporal e demais elementos visuais de uma obra. Para Moisés Bauer, cego, revisor de roteiros de audiodescrição e vice-presidente da Organização Nacional dos Cegos do Brasil (ONCB), a acessibilidade vai além das salas de cinema. Segundo ele: “Pessoas com deficiência visual devem ter a oportunidade de participar das atividades culturais e sociais de seus grupos, como ir ao cinema, ao teatro ou a museus, com condições adequadas para compreender as obras apresentadas.” Atualmente, empresas de comunicação investem em ferramentas que facilitam a implementação desses recursos. Um exemplo é o “Trio Cinema”, desenvolvido pela SHOWCASE PRO, que reúne audiodescrição, legenda descritiva e Libras em um único aplicativo, oferecendo uma experiência mais autônoma e acessível aos usuários. Entretanto, a inclusão não deve se limitar ao acesso ao conteúdo. A representatividade também precisa estar presente nas telas. Em entrevista ao portal “Diversa”, a professora Maria Paz Castro destaca que temas como capacitismo, questões de gênero e racismo têm ganhado espaço no audiovisual. “Pessoas com deficiência, antes praticamente invisíveis na mídia, hoje ocupam cada vez mais espaço em novelas, filmes e séries de grande alcance“, comenta Maria. Pensando nisso, reunimos algumas obras audiovisuais que abordam a deficiência e contribuem para ampliar a representatividade PcD: • “Amor no Espectro” — Netflix;A série acompanha pessoas com transtorno autista em sua jornada em busca de relacionamentos amorosos, explorando encontros, expectativas e desafios na construção de vínculos afetivos. • “Colegas, O Filme” — GloboPlay;O filme acompanha três amigos com síndrome de down que fogem do instituto onde vivem para realizar seus sonhos: ver o mar, voar e encontrar um grande amor. • “Crip Camp: Revolução pela Inclusão” — Netflix;O documentário retrata a experiência de jovens com deficiência em um acampamento de verão nos Estados Unidos durante os anos 1970 e mostra como muitos deles se tornaram protagonistas da luta por direitos, acessibilidade e inclusão. • “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” — GloboPlay;O filme acompanha Leonardo, um adolescente com deficiência visual que busca mais independência enquanto vivencia as descobertas da adolescência. • “Modern Love” — Prime Video.A série apresenta diferentes histórias sobre amor, amizade e relações humanas. Entre seus episódios, estão narrativas que abordam experiências de pessoas com deficiência e outras formas de diversidade.

O Dia dos Namorados e a inclusão: o caminho para garantir o direito de amar e ser amado

Dia dos Namorados

Para além do comércio e das comemorações, a data convida a uma reflexão sobre as barreiras que a sociedade impõe à sexualidade e aos relacionamentos PcD. Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira. O Dia dos Namorados é uma celebração católica que ocorre no dia 14 de fevereiro ou 12 de junho, como no Brasil, em comemoração aos atos de bondade realizados por São Valentim de Roma. No Brasil, a data difere do resto do mundo por conta da ideia do publicitário João Dória, em 1948, que buscava uma data comemorativa para fomentar o comércio no mês de junho, considerado um mês com poucas vendas na época. Segundo dados divulgados pelo IBGE, mais de 90 milhões de brasileiros — 51% da população — vivem em algum tipo de união conjugal. E, mesmo que o órgão governamental não contabilize o número exato de pessoas com deficiência que namoram no Brasil, pesquisas oficiais publicadas pelo Jornal Laboratório do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia indicam que, entre os mais de 18 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, a maioria dos homens, cerca de 58%, e 42% das mulheres vivem em algum tipo de união. Porém, apesar dos números expressivos de casais que possuem algum tipo de deficiência, o preconceito para com essas uniões ainda é bem propagado socialmente, como indicado pelo blog Freedom, em sua matéria “Relacionamento e pessoas com deficiência: como superar inseguranças”: “Pessoas com deficiência, com muita frequência, sofrem com a invisibilização de questões como sexualidade, desejo e namoro. Apesar da luta diária para existir em um mundo cheio de preconceito, ainda há quem questione a autonomia de PcDs quando o assunto é relacionamento e pessoas com deficiência.” Uma pesquisa publicada pela Revista Brasileira de Sexualidade Humana complementa essa informação, dizendo: “As principais barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência na vivência da sexualidade e dos relacionamentos não decorrem da deficiência em si, mas de obstáculos sociais, familiares e culturais que limitam sua autonomia afetiva.” Apesar desse estereótipo, em 2024, o casal Emilly Bulgarelli, de 20 anos; e Moisés Reis, de 21 anos, ambos com síndrome de down, viralizaram nas redes sociais ao compartilhar sua história com os internautas, quebrando o tabu sobre o namoro entre pessoas com deficiência. Em uma matéria divulgada pelo portal G1, a família do casal, que se conheceram ainda crianças, contou detalhes da infância e do pedido de namoro. “Moisés foi pedir a bênção do pai dela, que rezou uma cartilha para ele. Mesmo tremendo e chorando, Moisés colocou a aliança nela”, relembra Sandra Rodrigues, mãe de Emily. Segundo a família, o casal adora passar o tempo junto, seja jogando futebol, passeando no shopping ou participando de festas de aniversário. Para eles, o que realmente importa é a companhia. Para o futuro, Moisés e Emilly planejam casar, comprar uma casa e construir uma vida juntos, até mesmo ter filhos gêmeos. Histórias como a de Emilly e Moisés mostram que os relacionamentos e projetos de vida não são limitados pela deficiência, mas muitas vezes pelas barreiras impostas pela sociedade. Neste Dia dos Namorados, a reflexão vai além da celebração do amor. É também um convite para reconhecer a autonomia, os desejos e o direito de pessoas com deficiência de viverem plenamente suas experiências afetivas. Afinal, inclusão também significa garantir que todos possam amar e ser amados.

Quando a inclusão entra na quadrilha

Festa Junina

Conheça iniciativas e adaptações que ajudam a tornar as Festas Juninas mais acessíveis para todos os públicos. Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira. O dia 24 de junho é celebrado globalmente como o Dia de São João. No Brasil, a data marca o ápice das tradicionais Festas Juninas, uma festividade popular brasileira, com origem em antigas celebrações pagãs europeias que festejavam a mudança de estações (o solstício) e agradeciam pelas boas colheitas. Famosa por fogueiras, danças de quadrilha, roupas caipiras e comidas típicas à base de milho, a festa celebra a união entre a religiosidade católica, o folclore e a cultura caipira. Porém, apesar da diversidade cultural ser uma característica do evento, a festa ainda precisa de adaptações para ser inclusiva. Como é mostrado pelo Instituto Celebra, em uma matéria para promover o bem-estar de indivíduos com diagnóstico autista: “Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), essas festas podem apresentar desafios sensoriais, comportamentais e sociais que requerem atenção cuidadosa por parte dos organizadores.” Pensando nessas barreiras, em 2025, a prefeitura de Marília, em São Paulo, promoveu uma atividade inclusiva nas festas juninas, utilizando as “Histórias Sociais”, que são uma ferramenta pedagógica que usa narrativas simples e estruturadas para explicar situações do cotidiano, focando em comportamentos e emoções, a “História Social dedicada à Festa Junina”. Foto: História Social dedicada à Festa Junina. Fonte: Prefeitura de Marília. Para Michele Nunis, mãe atípica, essa implementação foi crucial para a inclusão de seus filhos na festa, como explicou ao portal da prefeitura: “Fui surpreendida com o comunicado da Secretaria da Educação sobre as festas juninas e, em anexo, uma História Social, que nos ajudou a entender o contexto do evento e a sua rotina. Eu fiquei muito feliz com esta iniciativa. Uma ação simples fez com que a minha família sentisse a inclusão na prática. Nos trouxe uma sensação de pertencimento e acolhimento.” Pedro Henrique, estudante de 16 anos, diagnosticado com TEA, também explicou como celebra a festa, apesar do desconforto: “Quando estou me sentindo sobrecarregado pelo som, cheiro e falta de espaço, costumo usar um fone com música alta e procurar um local mais vazio para caminhar e sair da muvuca.” Pensando nesses fatores e experiências, reunimos algumas mudanças para garantir o divertimento de todos: Adaptação Sensorial: Evite músicas muito altas e caixas de som posicionadas em locais de grande circulação; Monte uma área mais calma e com iluminação reduzida, onde os convidados possam descansar quando necessário; Opte por fogos de artifício silenciosos ou evite o uso deles. Acessibilidade Física: Garanta corredores largos entre as barracas e retire obstáculos para facilitar a passagem; Utilize placas com pictogramas (símbolos visuais) e, se possível, ofereça materiais informativos também em braille. Alimentação: Ofereça pratos sem glúten, sem lactose e opções veganas. Brincadeiras e Dança: Brincadeiras como a pescaria e a argola podem ser adaptadas com alvos maiores ou regras simplificadas; Na quadrilha, permita que as pessoas escolham como querem participar (dançando, ajudando a organizar ou acompanhando o ritmo).

50 Anos de Teste do Pezinho: Meio Século de Cuidado com o Futuro dos Bebês

50 anos teste do pezinho

Entenda como um teste tão simples é essencial para o diagnóstico precoce de doenças raras. Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira. A Triagem Neonatal Biológica, popularmente conhecida como “Teste do Pezinho”, é um direito de todos os recém-nascidos vivos. Sendo obrigatório por lei desde 2001, deve ser realizado em todo o território nacional. Em 2026, o Dia Nacional do Teste do Pezinho, celebrado dia 6 de junho, será ainda mais especial, pois marca o aniversário de 50 anos da chegada do exame no Brasil. A partir desse teste, é possível detectar em tempo hábil uma série de doenças genéticas e metabólicas que podem comprometer o desenvolvimento desses bebês. O período ideal para a realização do exame é entre o 3.º e o 7.º dia de vida, pois, nesse período, o recém-nascido já foi alimentado o suficiente para evitar falsos negativos nas patologias dependentes da amamentação, como doenças metabólicas. Foto: Teste do pezinho. Fonte: Prefeitura de Niterói. Esse avanço na medicina ganhou mais um capítulo em maio de 2021, quando foi sancionada a Lei n.º 14.154/2021, alterando o Estatuto da Criança e do Adolescente para ampliar o Programa Nacional de Triagem Neonatal no SUS. A proposta expandiu o teste de seis para mais de 50 doenças, incluindo Atrofia Muscular Espinhal (AME). Entretanto, mesmo imposto por lei, apenas Distrito Federal, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul fazem esse rastreamento, de acordo com o Instituto Nacional de Atrofia Muscular Espinhal, o INAME.  A presidenta do Instituto, Diovana Loriato, reforça a importância da ampliação dos testes na detecção de doenças raras: “Quando a AME é identificada logo após o nascimento, é possível iniciar o tratamento dentro da janela terapêutica adequada, eliminando ou reduzindo consideravelmente os sintomas. Isso evita óbitos e melhora a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.”  Além de ter um papel significativo na detecção de doenças, o teste também pode contribuir com os gastos no sistema de saúde. Um estudo conduzido por especialistas do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP mostrou que, a cada R$ 1 investido na triagem neonatal para AME, há uma economia de R$ 5 para o sistema de saúde. Isso porque o diagnóstico precoce pode impedir os avanços da doença, evitando assim cirurgias, tratamentos mais complexos e necessidade de cuidados a longo prazo.  O Teste do Pezinho vai muito além de um exame obrigatório. O exame é uma ferramenta essencial para garantir mais saúde e qualidade de vida para milhares de bebês. A realização do teste dentro do período correto pode transformar completamente o futuro desses recém-nascidos, dando a eles a oportunidade de tratamento precoce. Por isso, além das responsabilidades do Estado, é fundamental que pais e responsáveis estejam atentos à importância do “Teste do Pezinho”.

Maternidade e Deficiência: O olhar de quem cuida e também precisa de cuidado

Maternidade e Deficiência

Lições de amor e resiliência da mais forte barreira contra a exclusão: as mães. Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira. No Brasil, segundo dados do IBGE, cerca de 14 milhões de pessoas possuem alguma deficiência. Muitas vezes essas pessoas não têm assistência médica adequada e precisam se apoiar, quase que inteiramente, no suporte oferecido apenas por sua família, que muitas vezes é apenas a mãe. Um levantamento do Instituto Baresi, em 2012, revelou que cerca de 78% dos pais abandonaram as mães de crianças com deficiências e doenças raras, antes de os filhos completarem 5 anos. Para Kelly, médica e mãe de três crianças, a trajetória da maternidade atípica é marcada por uma dualidade entre a busca por estrutura e autoconhecimento. Em entrevista ao Genial Care, ela conta que os principais desafios manifestaram-se no impacto emocional do diagnóstico, que trouxe um misto de “estar perdida” com o alívio de finalmente ter um norte para buscar intervenções. Além da ansiedade, é fundamental aprender a enxergar a criança além das limitações. Para isso, é indispensável que a mãe também tenha um acompanhamento psicológico adequado. Andressa, mãe diagnosticada com TAB (Transtorno Afetivo Bipolar) e TDA (Transtorno de Déficit de Atenção), conta ao Genial Care como é ser uma mãe atípica: “A culpa não é sua, é algo que simplesmente acontece. Procure sua rede de apoio e faça acompanhamento psicológico. Nós também precisamos nos olhar e, nos olhando, conseguimos cuidar e educar cada vez melhor nossos filhos.” É de suma importância, então, que a sociedade contribua para que esses filhos tenham uma vida digna nos seus ambientes de lazer e trabalho, com mais inclusão e acessibilidade. Pois, ao proporcionarmos isso a eles, também estaremos reconhecendo a singularidade de cada criança e fortalecendo suas redes de apoio. Mais do que um esforço coletivo, essa é uma oportunidade de construir um futuro mais humano e acolhedor, retribuindo um pouco do amor que as mães dão a seus filhos todos os dias.

Trabalho Híbrido e Acessibilidade: Novas perspectivas para a inclusão

Trabalho Híbrido e Acessibilidade

Como as inovações tecnológicas ampliam o debate sobre acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência no ambiente corporativo. Por: Andreza Pereira e Douglas Ferreira Atualmente, estima-se que cerca de 545,9 mil trabalhadores com deficiência estejam inseridos no mercado formal, segundo dados do eSocial. Esse número está relacionado à implementação e à fiscalização da Lei de Cotas (Lei nº 8.213/91), que estabelece a obrigatoriedade de contratação por empresas com mais de 100 colaboradores. No entanto, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, indicam que a participação dessa população no mercado de trabalho ainda é significativamente inferior à da população sem deficiência, evidenciando que, apesar dos avanços legais, a inclusão ainda não ocorre de forma plenamente equitativa. Nesse contexto, mudanças na dinâmica de trabalho possibilitam que os debates sobre acessibilidade avancem para além do ambiente físico das empresas. A consolidação da tecnologia assistiva como pilar central da jornada laboral possibilitou que a inclusão fosse repensada a partir de novas perspectivas, levando em consideração não apenas a estrutura física, mas, principalmente, as interações e ferramentas digitais que eliminam barreiras de comunicação e execução de tarefas. Sendo assim, a acessibilidade digital assume um papel estratégico para que essa inclusão seja efetiva. O uso constante de plataformas colaborativas e diversas ferramentas de comunicação exige a adoção de recursos que garantam o entendimento claro de informações, como, por exemplo, a disponibilização de legendas automáticas e softwares de reconhecimento de voz, garantindo pleno acesso à vasta diversidade de formatos de interação. A promoção da acessibilidade corporativa por meio de soluções tecnológicas vai além da inserção de ferramentas inclusivas, mas, sobretudo, do desenvolvimento de uma cultura organizacional voltada para a diversidade e equidade. Integrando essas práticas, as empresas garantem a inclusão de pessoas com deficiência e contribuem para a formação de um espaço inovador, colaborativo e alinhado às novas tendências do mercado de trabalho.

Parques acessíveis: O direito ao verde além da legislação

Dia da terra

Garantir o acesso aos espaços verdes vai além da legislação e exige ações contínuas para promover inclusão, autonomia e bem-estar. Por: Andreza Pereira Hoje, dia 22 de abril, é celebrado o Dia Mundial da Terra. Nessa data, refletir sobre o acesso democrático à natureza se torna essencial. O contato com ambientes naturais é reconhecido como um pilar essencial para a manutenção da saúde física e mental do ser humano, além de contribuir para a prevenção de doenças e promoção do bem-estar, conforme pesquisa elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para que todos os indivíduos consigam desfrutar dessa experiência de maneira plena, é necessário eliminar barreiras de acesso, garantindo a inclusão e a acessibilidade nos espaços naturais e de uso público. Nesse cenário, o projeto Viva o Verde SP, realizado pela ONU-Habitat e SVMA (Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente), produziu um diagnóstico em 102 parques municipais, visando entender como transformar essas áreas em espaços verdadeiramente inclusivos. Utilizando o conceito de Desenho Universal, que visa criar espaços que possam ser utilizados por todas as pessoas, independentemente de suas características físicas. O estudo estabeleceu indicadores técnicos que avaliam desde a inclinação de rampas de acesso até a presença de sinalização tátil. Os resultados revelaram que, para garantir acessibilidade efetiva e autonomia no exercício do direito ao lazer, é fundamental a padronização de rotas acessíveis. A promulgação da Lei n.º 10.098, de 2000, estabelece que a acessibilidade em áreas públicas, como, por exemplo, os parques, passou a ser obrigatória, trazendo como principal objetivo a eliminação de barreiras, incluindo obstáculos arquitetônicos e urbanísticos. Em São Paulo, locais como o Parque Ecológico Imigrantes e a Trilha do Silêncio, no Parque Estadual do Jaraguá, contam com estruturas adaptadas para que pessoas com diferentes tipos de deficiência possam desfrutar da experiência sem obstáculos. Em alguns casos, também são oferecidos roteiros acompanhados por monitores e profissionais capacitados, mediante agendamento. Apesar da legislação, a consolidação dessas medidas depende da fiscalização contínua do poder público.  O monitoramento garantirá que as adaptações físicas e sensoriais funcionem para além da implementação, mas que operem em pleno funcionamento, de forma a impulsionar que os investimentos realizados sejam revertidos em benefícios permanentes à saúde e ao bem-estar de toda a população.

Design sensorial e comunicação não verbal como aliados na inclusão social de pessoas autistas

Abril Azul

No contexto do Abril Azul, a inclusão de pessoas autistas passa pela forma como ambientes e comunicação são estruturados no dia a dia. Por: Andreza Pereira   O Abril Azul, marcado pelo Dia do Autista (02/04), traz consigo diversas campanhas focadas em informação e conscientização, mas e se o problema não for apenas a falta de conhecimento, mas a forma como o mundo é estruturado? Historicamente, o planejamento de espaços tende a considerar um perfil médio de usuário. Ainda que existam adaptações voltadas à acessibilidade, nem toda barreira é visível e nem toda inclusão se resolve nas soluções mais evidentes. O último Censo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revelou que o Brasil possui 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que corresponde a 1,2% da população, evidenciando a importância de criar ambientes que atendam às necessidades sensoriais e cognitivas dos indivíduos com autismo. Pensando nisso, a neuroarquitetura surge como um campo que integra princípios da neurociência ao planejamento de espaços, com o objetivo de criar ambientes mais humanizados e alinhados às diferentes formas de percepção. Nesse contexto, o design pode contribuir para atender também às particularidades de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo o bem-estar e conforto sensorial. A minimização de estímulos excessivos, como luzes brilhantes, ruídos altos e uso de cores mais suaves, são alguns exemplos de como os ambientes podem ficar menos sobrecarregados. Diferente da arquitetura comum, os projetos de neuroarquitetura não seguem modelos existentes, mas são personalizados de modo a estimular os cinco sentidos de forma mais equilibrada e acolhedora. Além dos espaços físicos, a transmissão de informações nesses ambientes também influencia quem os utiliza. A comunicação não verbal torna-se então uma importante aliada para a construção de experiências mais acessíveis. O uso de pictogramas, instruções visuais simples e sinalizações mais intuitivas colaboram para a visualização de um ambiente mais claro e sem excessos. A partir desses pontos, fica claro que projetar vai além de incluir: é adaptar com intenção, compreendendo que a experiência de cada indivíduo é única, e que ambientes verdadeiramente acessíveis são aqueles que acolhem essa diversidade desde a sua concepção.

TRIO CINEMA: tecnologia assistiva na democratização do acesso à sétima arte

TRIO CINEMA

O lançamento do aplicativo traz uma nova perspectiva acerca da acessibilidade diante da vivência cinematográfica. Por Andreza Pereira e Douglas Ferreira.        O avanço constante da tecnologia tem permitido que cada vez mais pessoas tenham acesso a conteúdos audiovisuais e culturais. Hoje em dia, aplicativos como o TRIO, desenvolvido pela ShowCase, permitem uma experiência personalizada, adaptada às necessidades de cada usuário em eventos e outros espaços culturais. Pensando nisso, recentemente foi desenvolvido o TRIO CINEMA, uma nova plataforma criada especialmente para aprimorar a experiência no ambiente cinematográfico.        Nathan Florencio, desenvolvedor da ShowCase e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do aplicativo, explica que o TRIO CINEMA conta com interface mais escura, o que facilita o uso em ambientes com pouca luz, como, por exemplo, uma sala de cinema. Além disso, o TRIO CINEMA foi desenvolvido com “Framework Expo”, uma base pronta que funciona como um “kit de ferramentas” e oferece funções que incluem bibliotecas de internet, gerenciamento de arquivos do celular, roteamento das telas e entre outras funcionalidades. Na prática, isso tornou o processo de desenvolvimento mais ágil e simples.        Em relação à navegabilidade, a plataforma possui uma aba que mostra os últimos arquivos de acessibilidade baixados. Após 24 horas da instalação, todo o material é excluído automaticamente, visando não ocupar tanta memória do usuário final. A audiodescritora Ana Beatriz Ramos comenta que o aplicativo é simples e de uso intuitivo: “Após sincronizar a sua acessibilidade com o início do filme, caso seja necessário sair e retornar à sala por algum motivo, é possível sincronizar novamente de forma rápida, sem perder o plot.”        Em suma, para além do acesso ao entretenimento, o TRIO ajuda o cinema a desempenhar um papel fundamental na redução de abismos sociais, democratizando esses espaços. No entanto, Ana conclui afirmando que o setor precisa seguir investindo em suporte técnico e assumir a responsabilidade pela oferta de recursos inclusivos:      “Em um país marcado pela desigualdade social, o cinema deve oferecer equipamentos de acessibilidade, com o objetivo de acolher aqueles que não possuem acesso por meio de aparelhos celulares”, afirma a especialista. Para ela, a união de esforços é o único caminho para que a cultura audiovisual alcance todos os brasileiros.

O “Dia da Mentira” como propósito

Entre mitos e desinformação

Entre mitos e desinformação, o Dia da Mentira também evidencia como a acessibilidade ainda é cercada por percepções equivocadas. Por Andreza Pereira e Douglas Ferreira.           O “Dia da Mentira”, celebrado no dia 1.º de abril, é uma tradição popular mundial, marcada por brincadeiras, pegadinhas e notícias falsas. A data, apesar de humorística, pode trazer consigo estigmas sociais acerca de diversos temas, entre eles, acessibilidade, que são perpetuados pelo senso comum e também pela falta de informação.        Com isso em mente, apresentamos abaixo os principais mitos que permeiam serviços de acessibilidade: “Acessibilidade só ajuda pessoas com deficiência”.           Errado! A acessibilidade beneficia não apenas pessoas com deficiência, mas também idosos, gestantes, crianças e indivíduos com variados graus do espectro autista. A principal função da disponibilização do serviço é promover um ambiente equitativo, de forma a promover autonomia, segurança e igualdade de oportunidades.  “O custo da acessibilidade é muito alto”.          Nem sempre. O maior custo, na verdade, pode não ser o investimento inicial, mas a perda de oportunidades de crescimento. Ao ignorar uma parcela significativa da população, a empresa é impactada diretamente na imagem e reputação de sua marca, porque comunica para o seu público que nem todos são contemplados por ela, o que repercute diretamente em seu lucro, visto que, de acordo com um artigo publicado pela McKinsey, companhias que investem em diversidade e acessibilidade são mais propensas a terem lucratividade acima da média. “A acessibilidade é apenas uma questão de conformidade legal”.           Claro que não! Embora no Brasil existam leis e normas que estabeleçam a obrigatoriedade da disponibilização do serviço em espaços físicos, digitais e televisivos, é necessário considerar que a implementação dessas medidas vai além do cumprimento de regulamentações, mas também da execução dos direitos humanos, que estabelecem que todas as pessoas devem participar de forma plena na sociedade.               Depois de esclarecer alguns mitos, que tal uma informação verídica?  “Legenda não é tudo igual”.           Correto! A legendagem é um processo focado apenas no conteúdo falado pelos personagens e serve como tradução ou transcrição do diálogo. Já o Closed Caption (CC) é um tipo de legenda mais completa que inclui sons importantes, como músicas, ruídos e a identificação de quem está falando, podendo ser ativada ou desativada pelo usuário. Já percebeu em algumas cenas frases como “[música tensa]”, “[porta batendo]”? A inclusão desses elementos possibilita a melhor compreensão do conteúdo audiovisual e transforma a experiência de pessoas com deficiência auditiva.         A partir desse cenário, fica explícita a importância de combater essas fake news e divulgar informações verdadeiras e concisas, de modo a evitar a propagação de falsas narrativas acerca dos serviços de acessibilidade. A correção dessas percepções equivocadas pode garantir uma mudança de mentalidade e transformar o Dia da Mentira em uma data que nos lembra que inclusão não é brincadeira.

Do Silêncio de 1824 à Voz de 1988: A Evolução da Acessibilidade no Brasil

Do apagamento à garantia de direitos: o longo caminho da acessibilidade no Brasil. Por Andreza Pereira e Douglas Ferreira.           Neste dia 25 de março, relembramos o aniversário da primeira Constituição do Brasil, outorgada pelo Imperador Dom Pedro I, em 1824. Embora tenha sido o ponto de partida da nossa independência, com muitos avanços políticos para a época, a exclusão social ainda configurava-se como regra, deixando à margem quem não se encaixava no padrão de “cidadão” daquele século. Um exemplo disso é o fato de que a dignidade das pessoas com deficiência foi totalmente ignorada, e termos como “acessibilidade” e “inclusão” sequer existiam na carta. Além disso, não existiam leis que garantiam o direito de circulação nos espaços públicos, que eram marcados por barreiras visíveis e invisíveis, além da falta de respaldo quanto ao acesso ao mercado de trabalho.           A reversão desse cenário levou mais de 160 anos para acontecer, com a Constituição Cidadã de 1988, promulgada por Ulysses Guimarães, então presidente da Assembleia Nacional Constituinte. O documento garantiu proteção social às pessoas com deficiência, proibindo discriminações e determinando a integração social, um avanço que contribuiu significativamente para tirar essa parcela da população da sombra e do ostracismo. Para entender melhor o abismo que separava essas duas realidades, segue abaixo o comparativo entre alguns trechos do texto de 1824 e as conquistas de 1988 em diversas áreas:   ÁREA CONSTITUIÇÃO DE 1824 CONSTITUIÇÃO DE 1988 EDUCAÇÃO Sem previsão de acesso para pessoas com deficiência. Direito garantido, com promoção da inclusão. TRABALHO Nenhuma proteção ou política de inclusão. Proibição de discriminação e incentivo à inclusão profissional por meio de cotas. TRANSPORTE Não contemplado; barreiras impediam a locomoção. Diretriz para acessibilidade e mobilidade. CIDADANIA Restrita a uma parcela da população. Universalização de direitos e inclusão social. fonte: https://revistadadpu.dpu.def.br/article/view/203                     Nesse contexto, é fundamental que os direitos já previstos constitucionalmente sejam cada vez mais fortalecidos e defendidos, visando à garantia efetiva da inclusão das pessoas com deficiência e à eliminação das barreiras que ainda limitam sua plena participação na sociedade, exigindo um compromisso contínuo com a inclusão e a equidade, assegurando a dignidade e a qualidade de vida daqueles que historicamente foram excluídos e que ainda enfrentam obstáculos para exercer plenamente sua cidadania.

Dos rascunhos à prática: acessibilidade como compromisso social

Como o planejamento inclusivo transforma a experiência do público em democracia.Por: Andreza Pereira e Douglas Ferreira        Conhecido por atrair um grande público e reunir atrações diversas, o Lollapalooza se consolidou como um dos maiores festivais do país. A edição de 2026 tem data marcada para os dias 20, 21 e 22 de março. A grandiosidade da produção contribui para essa popularização, mas outro fator merece atenção: as iniciativas de acessibilidade, que impactam diretamente na experiência do público e ocupam um papel fundamental para garantir que todas as pessoas possam participar de forma confortável, segura e inclusiva.        Em eventos culturais, mais do que pensar na infraestrutura, é necessário garantir que todos os públicos sejam atendidos de maneira equitativa e estratégica. Esse planejamento envolve recursos como rampas e áreas reservadas, intérpretes de Libras, audiodescrição, sinalização adequada e comunicação clara sobre os serviços disponíveis. Esses exemplos de tecnologia assistiva, quando incorporados à concepção do projeto, contribuem para a promoção de um ambiente mais democrático e abrangente.       De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem aproximadamente 14,4 milhões de pessoas com alguma deficiência, o que corresponde a aproximadamente 7% da população brasileira. Esse dado reforça a importância de adaptar operações e iniciativas voltadas ao público às Leis Brasileiras de Inclusão e a outras normas ligadas à acessibilidade cultural. Ademais, seguir eticamente a legislação pode beneficiar a imagem da empresa produtora perante os órgãos governamentais e patrocinadores, à medida que demonstra responsabilidade social.       Para Wesley Lopes, da ShowCase, a qualidade da LIBRAS em eventos depende de uma sintonia fina entre intérprete e operador, além de áudio e internet impecáveis. O trabalho em dupla é essencial: enquanto um sinaliza, o outro oferece suporte imediato. Essa estrutura técnica atende a uma urgência social, visto que a LIBRAS é a principal, e muitas vezes única, via de informação para a comunidade surda não alfabetizada em português. “Esse serviço é essencial na vida do surdo, pois ele se sente incluído na sociedade. Além disso, há muitas coisas que a pessoa com deficiência auditiva deixa de consumir por não ter interpretação em LIBRAS, o que é uma pena”, completou Wesley.     É de suma importância que a experiência do público seja uma prioridade desde a etapa de planejamento. Garantir a isonomia e a democratização dos espaços é um princípio básico, que deve ser incorporado às práticas de diversidade e inclusão na concepção de eventos de qualquer natureza, possibilitando a participação plena de todos os indivíduos e contribuindo para a construção de ambientes mais acessíveis, representativos e socialmente responsáveis para as gerações futuras.

Protagonismo feminino na ciência brasileira: Tatiana Sampaio e a trajetória que transforma desafios em descobertas

Tatiana Sampaio

Quando conhecimento e determinação se unem, ciência e impacto social caminham juntos.           Na semana do Dia Internacional da Mulher, destacamos uma pesquisadora que tem contribuído de forma significativa para a ciência brasileira. Mestre e Doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio é responsável pelo desenvolvimento da Polilaminina, uma molécula com potencial de reversão de lesões medulares. A inovação já recebeu autorização da Anvisa para iniciar testes clínicos de segurança e eficácia, e se aprovada, será disponibilizada em até cinco anos.          A Polilaminina foi elaborada a partir da Laminina, uma proteína naturalmente presente no nosso corpo, essencial para a conexão entre os neurônios. A pesquisa buscou potencializar essa capacidade, estimulando a regeneração de células nervosas danificadas que podem comprometer os movimentos corporais. Esses resultados ampliam as possibilidades de recuperação.          Para Tatiana Sampaio, a ciência brasileira tem uma criatividade única, e sua meta é transformar isso em soluções reais. Foi com esse pensamento que ela aprofundou seus conhecimentos na área de bioquímica e regeneração neural, consolidando uma trajetória marcada por garra e compromisso com a pesquisa. Durante uma entrevista concedida ao ParqueCast, a pesquisadora disse que, para um jovem hoje, sejam ou não pesquisadores, é necessário ter coragem. Essa fala reverbera a trajetória das mulheres na ciência, em que a coragem e a resiliência são essenciais para romper barreiras históricas e conquistar espaços de liderança. Além de sua atuação em laboratório, ela também se dedica à formação de novos pesquisadores, contribuindo para o fortalecimento da ciência nacional e, principalmente, para a presença e o protagonismo feminino nas carreiras científicas.       Mais do que conquistas individuais, trajetórias como a de Tatiana reforçam a importância da visibilidade da comunidade científica para alcançar impactos coletivos e sociais, visando uma sociedade mais equitativa e equilibrada. Ao celebrarmos o Dia Internacional da Mulher, reconhecemos não apenas seu talento e dedicação, mas também o exemplo que ela representa para tantas outras mulheres que buscam espaço, reconhecimento e a oportunidade de transformar seus sonhos em conquistas reais.

Jogos Paralímpicos de Inverno retornam à Itália em 2026 com recorde de atletas brasileiros

JOGOS PARALIMPICOS DE INVERNO 2026. O BRASIL TERÁ SUA MAIOR PARTICIPAÇÃO DA HISTÓRIA.

O Brasil chega aos Jogos de Inverno na Itália com sua maior participação da história, somando oito atletas.           Seis décadas após a primeira edição, os Jogos Paralímpicos voltam ao seu país de origem, a Itália, desta vez nas cidades de Milão e Cortina d’Ampezzo, que receberão delegações de diversos países entre os dias 6 e 15 de março. Ao todo, serão seis modalidades. Duas delas contarão com a participação de atletas brasileiros: Esqui Cross-Country e Snowboard. O Esqui Cross-Country é uma prova de resistência em longas distâncias na neve, enquanto o Snowboard reúne provas de velocidade e técnica em descidas.           Segundo reportagem do Globo Esporte, por conta da evidente distinção climática, grande parte dos treinos dos atletas brasileiros acontece fora do Brasil, em centros de neve, ou em treinos específicos no país usando roller skis, que simulam o esqui em asfalto e ajudam na preparação física e técnica quando não há neve disponível. Essa adaptação permite que os atletas mantenham o alto nível de desempenho, mesmo diante das limitações de infraestrutura, garantindo que cheguem às competições prontos para competir nas pistas oficiais.           As Paralimpíadas surgiram visando reabilitar soldados feridos durante a Segunda Guerra Mundial e, com o tempo, evoluíram para um movimento esportivo internacional muito maior, no qual tem como intuito promover a inclusão de pessoas com deficiência. A primeira edição do evento ocorreu em 1960, na capital da Itália, Roma, reunindo 23 países que competiram em oito modalidades. Ao longo dos anos, foram incluídos outros tipos de deficiência, como, por exemplo, física, visual e intelectual, o que contribuiu para o aumento do número de atletas e países ao longo das edições, consolidando a importância do evento no cenário esportivo internacional.          Este ano, o Brasil entra na competição com um número recorde de oito atletas convocados, sendo eles: Esqui Cross-Country: Aline Rocha e Elena Regina (feminino); Cristian Ribera, Guilherme Cruz Rocha, Robelson Lula e Wellington da Silva (masculino).Snowboard: Vitória Machado (feminino) e André Barbieri (masculino).           A marca histórica do Brasil nos Jogos Paralímpicos de Inverno evidencia o progresso técnico dos atletas, o fortalecimento das políticas de inclusão e o crescimento do esporte no país, consolidando uma base sólida para que futuras gerações alcancem ainda mais destaque no cenário internacional.

Inclusão PcD no humor brasileiro

Humoristas que trazem inclusão PCD para os palcos e telas do país. Por Leonardo Piza Uma das melhores formas de unir os indivíduos de uma sociedade é pelo humor. A todo momento, pessoas são conquistadas por algo que lhes arranca um sorriso sincero ou uma gargalhada espontânea. Seja uma piada, trocadilho, meme, imitação, etc. Atrair, conquistar e divertir é o principal papel exercido pelos profissionais da comédia, sempre criando proximidade com o público em apresentações ou vídeos de humor. No Brasil não seria diferente. Fazer piada de tudo é uma característica única e peculiar do nosso povo, e em matéria de talento e versatilidade, nossos comediantes dão o nome. E é claro que nossos humoristas PcD não ficam para trás. Por isso, separamos uma lista de profissionais do humor que apresentam alguma deficiência para nos inspirar com suas histórias de vida e suas carreiras de sucesso. Gigante Léo: Leonardo Reis, conhecido artisticamente como Gigante Léo, tem displasia diastrófica, um tipo de nanismo. Seus pais não possuem nanismo, porém ambos possuem o gene recessivo, o que explica o nanismo recessivo do filho. Começou no teatro aos 9 anos de idade, apresentando em um grupo de teatro na igreja em que frequentava. Ele começou a ganhar projeção nacional em 2011 ao ser o vencedor da regional Sudeste II e o vice-campeão geral do 1º Campeonato Brasileiro de Stand-up Comedy, promovido pelo festival Risadaria, maior evento do humor da América Latina. Em 2012, foi o campeão do Prêmio Multishow de Humor sendo a nova revelação do canal Multishow. Em seguida, iniciou sua carreira como roteirista, escrevendo seu programa, “O Diário do Gigante”, junto com Ulisses Mattos. Além disso, foi convidado a fazer participações em programas de emissoras como: TV Globo, SBT e Record. Em 2017, protagonizou o filme Altas Expectativas, que conta a história de um treinador de cavalos verticalmente desfavorecido que tenta conquistar a dona de um Jockey Clube do Brasil. Em seus stand-ups, Gigante Léo gosta de voltar seus textos para a reação das pessoas ao ver e interagir com alguém com nanismo nas ruas, sempre de uma forma divertida. Seu foco nunca foi falar sobre dificuldades enfrentadas, muito menos zombar de pessoas que também possuam a deficiência. Trecho do stand-up: “Eu gostaria de dar dois avisos muito importantes: o primeiro deles é que eu não estou de joelhos. […] O segundo aviso é que não precisa ter medo. Eu não vou descer do palco, eu não mordo.” “Todos somos iguais, apenas temos dificuldades diferentes”. – Gigante Léo. Jeffinho: Jefferson Farias, mais conhecido como Jeffinho, é ator e comediante. Ele possui deficiência visual devido a uma atrofia no nervo ótico, que é sequela de uma trombose cerebral que ele teve aos 11 anos de idade. Jeffinho começou na profissão aos 17 anos e chegou a estudar História na UFF, mas acabou se formando em Teatro pela UniverCidade. Em agosto de 2009, ele assistiu um show de stand-up pela primeira vez na vida e se interessou pelo formato. Determinado, pediu para subir no palco e utilizou o material que tinha consigo. Desde então nunca mais parou de se apresentar. Um de seus personagens mais famosos como ator foi o Ceguinho, em “A Praça é Nossa“, no SBT. No final de 2020, aos 30 anos, ele publicou seu livro “Eu decidi enxergar”, que traz histórias inéditas de sua trajetória enquanto artista e curiosidades dos bastidores ao longo de sua primeira década de carreira. Além de ministrar palestras motivacionais, o comediante encena espetáculos de humor por todo o Brasil, como o “Ponto de Vista“. O comediante procura falar sobre as situações engraçadas de seu dia a dia e a “falta de tato” que as pessoas têm ao se dirigir a deficientes visuais. Ele explica ainda que, em seus shows, não tira sarro de deficientes visuais, mas leva na brincadeira o que as pessoas dizem para ele. “As pessoas não vão para o teatro para rir do cego, elas vão para rir delas mesmas. Elas pensam: ‘ih, realmente, quando eu ajudei uma pessoa com deficiência visual eu fiz isso mesmo’” – afirma Jeffinho. Trecho do stand-up: “Eu tava na balada, uma menina me chamou de deficiente ‘audiovisual’. Quer dizer, eu tô sem som e sem imagem, brother.” “Rir é remédio. É defesa e remédio.” – Jefferson Farias. Ceguinho: Geraldo Magela, apelidado carinhosamente pelo público como Ceguinho, é conhecido em todo o Brasil e no exterior por seu humor e criatividade na superação de sua deficiência visual. Nascido em Belo Horizonte, ele vem de uma família composta por oito irmãos, sendo cinco cegos. Todos acometidos por uma doença conhecida como retinose pigmentar, que provoca perda gradativa da visão. Quanto ao Geraldo, teve dificuldade para enxergar já na infância, e o quadro piorou quando tinha aproximadamente 22 anos. Inspirado pelos programas de rádio que ouvia na adolescência, fez locuções em lojas da cidade natal como propagandista anunciando produtos. A carreira artística começou no rádio. Como ouvinte, ganhou um concurso do programa de Aldair Pinto, grande nome do rádio mineiro. Rapidamente Ceguinho ganhou seu próprio programa de rádio por conseguir conquistar o público de forma única e criativa. Trabalhou em diversas emissoras mineiras: Rádio Inconfidência, Rádio Capital, Rádio Itatiaia. Magela viu sua carreira decolar em 1996, quando lançou o show “Ceguinho é a Mãe” no programa Jô Soares Onze Meia, no SBT. O artista permanece atuante na TV, teatro, e também na Internet. E passou a ser bastante requisitado por diversas empresas e municípios para transmitir sua mensagem cativante em palestras show pelo país. Trecho do stand-up: “A maioria como faz pra atravessar o cego? Pega a gente pelo braço, suspende o braço da gente e aperta. Mas aperta com tanta força que dá impressão que eles têm medo da gente fugir. Eu não quero fugir, eu só quero atravessar a rua.” “Você nunca deve parar, pois quem para só anda para trás. Se você não tentar, já estará derrotado antes mesmo de seguir em frente.” – Ceguinho. Pequena Lô: Lorrane Silva, conhecida por toda a internet

Primeiro personagem com síndrome de down da Disney e o valor da representatividade

Por Ana Andrade Lançado em 28 de abril diretamente pelo Disney+, serviço de streaming de um dos estúdios mais famosos do mundo, Peter Pan & Wendy chama atenção para além da história original sendo recontada, trazendo a representatividade que os tempos atuais exigem ao mesmo tempo em que conserta os erros de sua inspiração. Com 15 anos, o ator Noah Matosfky revoluciona ao interpretar o primeiro personagem importante portador de síndrome de down em um filme da Disney. Tendo conseguido o papel em 2021, o garoto marca sua estreia no cinema interpretando Slightly, o líder dos meninos perdidos, grupo que também é liderado por Peter Pan. Em entrevista para o The Sun, o ator contou um pouco sobre sua experiência no live-action: “Tive muitas falas para aprender muito rapidamente, mas foi emocionante e eu gostei muito”. (Cartaz do ator Noah Matifsky para o filme) OUTROS ACRÉSCIMOS AO ELENCO Além da estreia do ator, o filme também conserta um problema vindo de sua origem: A personagem Tiger Lily. Indígena, a personagem e sua tribo foram representados de forma estereotipada em toda a animação, algo inadmissível para a nova obra. David Lowery, roteirista do novo filme, deu uma entrevista para a Entertainment Weekly em 2018 e aproveitou para esclarecer o assunto antes durante a produção: “O filme original do Peter Pan é obviamente muito racista. Isso tem que ser reparado imediatamente.” Outro acréscimo no elenco foi a atriz Yara Shahidi como Tinker Bell. Ao ser anunciada, a atriz norte-americana sofreu ataques racistas pela internet, sendo apoiada por Halle Berry, a intérprete da Ariel em A Pequena Sereia (2023). Após o lançamento, a atuação de Yara foi elogiada por parte do público. A IMPORTÂNCIA DA REPRESENTATIVIDADE A representatividade que esse filme traz, uma das maiores em filmes da Disney, chama a atenção de forma positiva, ainda que de forma tardia. Após anos com histórias apenas de personagens brancos e sem deficiência, a abertura para mais diversidade nas tramas e no elenco vem para representar uma humanidade tão plural como a nossa, mesmo em um filme de fantasia. Afinal, as obras são justamente para crianças, e a alegria delas em se verem na tela deve ser valorizada, e também protegida. Porém, o caminho para que as pessoas entendam a importância e o foco dessa representatividade após anos com um padrão milimetricamente definido ainda é longo, envolvendo muito mais do que o cinema.  Poucas são as alterações feitas em live-actions ou outros tipos de adaptações que não recebem comentários de ódio. Os focos são, principalmente, em mudanças de etnia e sexualidade. Em alguns casos, atores e atrizes são obrigados a limitar comentários em suas publicações, ou então apagar suas próprias redes sociais para que ataques diretos cessem.  As críticas, muitas vezes, são baseadas na versão original da obra. Em Peter Pan & Wendy, por exemplo, ataques racistas foram feitos porque a Tinker Bell, em diversas animações, é branca e loira. No live-action mais recente, porém, sua intérprete é negra. O mesmo acontece em A Pequena Sereia, com estreia programada para 25 de maio de 2023, onde a protagonista é interpretada por Halle Berry, também negra. Em um mundo preconceituoso, mudanças como as citadas também são atos de coragem, principalmente dos atores, alvos dos ataques de ódio, principalmente virtuais. Porém, para as crianças, uma maior representatividade pode lhes mostrar que sim, ela pode ser o que quiser. Desde menino perdido, fada ou até uma sereia. 

Comemorações em Libras incentivam a inclusão de torcedores surdos

Através da Língua Brasileira de Sinais, jogadores celebram os gols marcados e promovem a inclusão social. Por: Thammy Luciano Celebrar um gol feito pelo jogador do seu time do coração em uma partida de futebol é algo inexplicável. E se durante uma comemoração você se sentir parte daquele momento repleto de emoções? Promovendo a inclusão social, o futebol tornou-se uma ferramenta de mudanças que vão além das quatro linhas e passou a ser um espaço que possibilita dar visibilidade à comunidade surda brasileira. As comemorações na Língua Brasileira de Sinais (Libras) têm se popularizado. Em 2019, Gabriel Barbosa, atacante do Flamengo, em Libras, disse após marcar um gol em partida pelo Campeonato Brasileiro: “Hoje tem gol do Gabigol.” Na final da Copa do Brasil, em outubro de 2022, disputada por Flamengo e Corinthians, o atacante Pedro também comemorou o gol que abriu o placar do jogo com uma frase em Libras: “Jesus é o caminho, a verdade e a vida”, uma passagem bíblica de João 14:6. Foto: (Reprodução/ESPN) Em abril deste ano, Thiago Galhardo, atacante do Fortaleza, marcou contra o Águia Marabá pela Copa do Brasil e também falou na Língua Brasileira de Sinais. Na ocasião, o atleta disse a frase: “Jesus ama você”, a mesma comemoração foi feita por Gabriel Pec, do Vasco, ao marcar contra o Palmeiras no mesmo mês. Em todas as ocasiões, os atletas reforçaram a necessidade de incluir os torcedores surdos e proporcionar a eles as emoções do futebol. Assim, o esporte assume a posição de instrumento de mudanças sociais, incentivando não somente a inclusão das pessoas surdas, mas também abrindo espaço para novas ações voltadas à toda comunidade. Foto: (Mateus Lotif/Fortaleza EC) Libras A Língua Brasileira de Sinais é reconhecida como uma das línguas oficiais do Brasil há 21 anos pela Lei de nº 10.436. Falar em Libras possibilita uma comunicação padronizada, entretanto, é uma língua viva e, por isso, novas expressões estão sempre surgindo. Aprender Libras estimula o desenvolvimento social e emocional da pessoa surda, daqueles que são parte do seu convívio e de todos que desejam falar a Língua Brasileira de Sinais. Além de incluir os torcedores surdos, falar em Libras em um momento onde toda a atenção está voltada ao jogador, permite que o público compreenda a necessidade de refletir sobre as dificuldades enfrentadas cotidianamente pelas pessoas surdas e aprender mais sobre a língua. Referências: https://ge.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/hoje-tem-gol-do-gabigol-apos-problema-com-cartaz-atacante-do-flamengo-usa-libras-para-comemorar.ghtml http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/dia-nacional-da-libras https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/noticias/a-lingua-brasileira-de-sinais-como-ferramenta-de-inclusao-social https://www.gov.br/pt-br/noticias/assistencia-social/2022/04/lei-que-institui-a-lingua-brasileira-de-sinais-completou-20-anos https://www.opovo.com.br/esportes/futebol/times/fortaleza/2023/04/12/galhardo-do-fortaleza-comemora-gol-em-libras-saiba-o-que-ele-disse.html https://www.supervasco.com/noticias/gabriel-pec-comemora-gol-em-libras-video-365396.html https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2022/10/19/entenda-o-que-pedro-disse-em-libras-apos-gol-do-flamengo-contra-corinthians.htm

PcDs no Mercado de Trabalho e as barreiras persistentes do Capacitismo

Por Helena Simionatto A inclusão e a acessibilidade no mercado de trabalho são temas que ganharam grande destaque nas últimas décadas, impulsionados pela crescente conscientização sobre os direitos das pessoas com deficiência e pela necessidade de promover a diversidade e a equidade nas empresas e na sociedade como um todo.  Com decretos de leis que fundamentalmente garantem os direitos das pessoas com deficiência, é quase impossível ouvir alguém dizer que é contra a inclusão e a acessibilidade, inclusive, as empresas cada vez mais divulgam adotar práticas inclusivas em seus processos seletivos e rotinas de trabalho. Nesse processo, temos alguns marcos de extrema importância, como a Lei de Cotas que, desde 1991, obriga empresas a garantirem a contratação de uma porcentagem de pessoas com deficiência, e da promulgação da Lei Brasileira de Inclusão, que entrou em vigor no ano de 2015 e consolidou uma série de direitos discutidos na Convenção dos Direitos das Pessoas com deficiência, promovido pela ONU.  No entanto, ainda há muito a ser feito para que essas leis sejam de fato aplicadas e para que a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho se torne uma realidade efetiva. Apesar dos avanços conquistados, as estatísticas revelam que essa ideia de inclusão e acessibilidade não reflete exatamente o que ocorre na realidade, apontando para uma persistência de barreiras e preconceitos que dificultam que essas iniciativas sejam colocadas em prática. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2019, mesmo antes do impacto causado pela pandemia COVID-19, o número de pessoas com deficiência formalmente empregadas correspondia a apenas 0,98% dos trabalhadores com carteira assinada, sendo que, segundo o IBGE, pelo menos 25% da população brasileira possui algum tipo de deficiência. Essa discrepância pode ser explicada, em parte, pela falta de regulamentação específica e aplicabilidade das propostas apresentadas pela legislação. Embora os avanços e diretrizes alcançados tenham sido importantes, sua implementação ainda enfrenta muitos desafios e obstáculos, sendo o capacitismo um dos principais deles. Mas o que é o Capacitismo? O capacitismo é uma forma de discriminação ou preconceito contra pessoas com deficiência, que se baseia na crença de que a deficiência é uma condição negativa ou inferior. A suposição de que corpos com deficiência têm menos valor, são menos capazes ou menos inteligentes está atrelada a construções sociais reforçadas há séculos e que limitam a participação plena e igualitária de pessoas com deficiência na sociedade. Essas construções sociais criam barreiras físicas ou de comunicação que dificultam o acesso de pessoas com deficiência a oportunidades culturais, educacionais e profissionais, restringindo-as a atividades consideradas mais fáceis ou menos qualificadas. Essas barreiras podem ser visíveis ou invisíveis, e muitas vezes são perpetuadas pela falta de conhecimento e conscientização sobre as necessidades e habilidades das pessoas com deficiência. Por exemplo, muitas empresas ainda não oferecem adaptações razoáveis para seus funcionários com deficiência, como equipamentos de tecnologia assistiva, intérpretes de língua de sinais ou rampas de acesso. Além disso, muitas vezes há uma falta de representação adequada de pessoas com deficiência na mídia e na cultura popular, reforçando estereótipos negativos e limitantes. O capacitismo também pode se manifestar em atitudes e comportamentos que desconsideram as necessidades e desejos das pessoas com deficiência, como a infantilização, a superproteção ou a negação de sua autonomia. Essas atitudes podem levar a uma falta de respeito pelos direitos das pessoas com deficiência e impedir seu pleno desenvolvimento e participação na sociedade. É importante destacar que o capacitismo não se limita apenas a essas crenças e discriminações explícitas. Podemos pensar “Mas eu não acho que PdDs são inferiores, logo, não sou capacitista”, mas ele também pode se manifestar de outras formas, como por meio de piadas ou da adjetivação das deficiências para uso pejorativos. Muitas vezes, essas expressões são tão comuns e naturalizadas na sociedade que parecem estar desconectados de seus significados originais, mas é fundamental que eles sejam resgatados e reconhecidos, questionar sua origem e o que representam. Para combater o capacitismo, é necessário reconhecer e valorizar a diversidade humana e a contribuição das pessoas com deficiência em todas as áreas da sociedade. Por isso, é fundamental que as pessoas estejam atentas às suas próprias atitudes e comportamentos, ao mesmo tempo, em que as empresas se esforcem para adotar de fato medidas de acessibilidade e adaptação, capacitação e valorização das pessoas com deficiência, ofertando oportunidades de desenvolvimento e progressão na carreira, além da promoção de um ambiente de trabalho acolhedor, respeitoso e livre de preconceitos. O capacitismo é um problema grave e generalizado em muitas sociedades, ao adotarmos essas medidas, estaremos não apenas combatendo esse problema, mas também promovendo a inclusão e a diversidade no ambiente de trabalho e na sociedade como um todo. Referências https://www.forbes.com/sites/roberthart/2023/03/08/elon-musk-apologizes-after-publicly-mocking-disabled-twitter-employee/?sh=632f62b6455d https://noticias.unb.br/112-extensao-e-comunidade/5957-mesa-redonda-discute-inclusao-de-pessoas-com-deficiencia-no-mercado-de-trabalho-e-na-universidade https://www.rhportal.com.br/artigos-rh/mercado-de-trabalho-para-pcd/

BBB 23 e a autodescrição

Por Catrina Jacynto Com o início da 23ª edição do Big Brother Brasil, os telespectadores foram surpreendidos com a atitude espontânea dos participantes do reality em descrever a própria aparência a fim de proporcionar ao público com deficiência visual o conhecimento da fisionomia dos mesmos. Muito se comentou sobre esse fato e levantou um debate relevante, sobretudo ao falarmos de inclusão e acessibilidade: por que fazer a audiodescrição? Para começar, é importante definir que o que os participantes fizeram não foi uma audiodescrição de fato, mas uma autodescrição, ou seja, uma narrativa sobre a própria aparência. Isso, claro, não diminui o mérito do feito, mas é preciso estabelecer que a audiodescrição vai muito além do que uma descrição direta e precisa de paisagens, pessoas e imagens no geral.  A audiodescrição é uma técnica de transmissão de informação que permite que pessoas com deficiência visual possam ter acesso ao conteúdo audiovisual, tais filmes, programas de televisão, jogos, eventos ao vivo, entre outros. Através da audiodescrição, é possível descrever detalhes visuais, como cenas, ações, expressões faciais e outros elementos relevantes que complementam a narrativa, sem interferir na trilha sonora original. Além do público deficiente visual, a audiodescrição também pode ser útil para pessoas com dificuldades de compreensão visual, como idosos, crianças pequenas, pessoas com dificuldades de concentração e daltônicos. Os audiodescritores, como são denominados os responsáveis por essa atividade, precisam ter acesso a uma formação adequada que abranja conceitos sobre a deficiência visual, histórico, princípios e teorias da audiodescrição, além de noções de resumo e treinamento prático. É fundamental que eles também assistam a peça, filme ou espetáculo antes de elaborarem a audiodescrição, para ter familiaridade com o tema, personagens, figurino, vocabulário específico, autor e cenários. Outro fator essencial é a produção de um roteiro para audiodescrição, que inclua todas as informações adicionais que serão inseridas entre os diálogos. No teatro, este roteiro é revisado pelo diretor da peça, que verifica a coesão e fidelidade ao tema e linguagem da obra. As informações devem ser objetivas e isentas de opiniões pessoais do audiodescritor. Este é um trabalho que requer atenção, tempo, dedicação e preparação. Apesar da autodescrição feita no BBB 23 não corresponder exatamente aos trâmites técnicos da audiodescrição, ela foi muito significativa para trazer visibilidade para o valor da audiodescrição e a acessibilidade. A passos lentos, porém progressivos, a audiodescrição é somada aos mais diversos programas. Quanto maior for o conhecimento da população a respeito dessa tecnologia, maior será a busca pelo uso e oferta desse recurso por parte das instituições, além de viabilizar a naturalização da descrição, por mais que simples, como um ato que impacta diretamente nas impressões que uma pessoa com deficiência têm do mundo à sua volta. As fontes utilizadas: