Quando a inclusão entra na quadrilha

Conheça iniciativas e adaptações que ajudam a tornar as Festas Juninas mais acessíveis para todos os públicos.

Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira.

O dia 24 de junho é celebrado globalmente como o Dia de São João. No Brasil, a data marca o ápice das tradicionais Festas Juninas, uma festividade popular brasileira, com origem em antigas celebrações pagãs europeias que festejavam a mudança de estações (o solstício) e agradeciam pelas boas colheitas. Famosa por fogueiras, danças de quadrilha, roupas caipiras e comidas típicas à base de milho, a festa celebra a união entre a religiosidade católica, o folclore e a cultura caipira.

Porém, apesar da diversidade cultural ser uma característica do evento, a festa ainda precisa de adaptações para ser inclusiva. Como é mostrado pelo Instituto Celebra, em uma matéria para promover o bem-estar de indivíduos com diagnóstico autista: “Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), essas festas podem apresentar desafios sensoriais, comportamentais e sociais que requerem atenção cuidadosa por parte dos organizadores.

Pensando nessas barreiras, em 2025, a prefeitura de Marília, em São Paulo, promoveu uma atividade inclusiva nas festas juninas, utilizando as “Histórias Sociais”, que são uma ferramenta pedagógica que usa narrativas simples e estruturadas para explicar situações do cotidiano, focando em comportamentos e emoções, a “História Social dedicada à Festa Junina”.

História Social dedicada à Festa Junina

Foto: História Social dedicada à Festa Junina. Fonte: Prefeitura de Marília.

Para Michele Nunis, mãe atípica, essa implementação foi crucial para a inclusão de seus filhos na festa, como explicou ao portal da prefeitura: “Fui surpreendida com o comunicado da Secretaria da Educação sobre as festas juninas e, em anexo, uma História Social, que nos ajudou a entender o contexto do evento e a sua rotina. Eu fiquei muito feliz com esta iniciativa. Uma ação simples fez com que a minha família sentisse a inclusão na prática. Nos trouxe uma sensação de pertencimento e acolhimento.

Pedro Henrique, estudante de 16 anos, diagnosticado com TEA, também explicou como celebra a festa, apesar do desconforto: “Quando estou me sentindo sobrecarregado pelo som, cheiro e falta de espaço, costumo usar um fone com música alta e procurar um local mais vazio para caminhar e sair da muvuca.

Pensando nesses fatores e experiências, reunimos algumas mudanças para garantir o divertimento de todos:

Adaptação Sensorial:

  • Evite músicas muito altas e caixas de som posicionadas em locais de grande circulação;
  • Monte uma área mais calma e com iluminação reduzida, onde os convidados possam descansar quando necessário;
  • Opte por fogos de artifício silenciosos ou evite o uso deles.

Acessibilidade Física:

  • Garanta corredores largos entre as barracas e retire obstáculos para facilitar a passagem;
  • Utilize placas com pictogramas (símbolos visuais) e, se possível, ofereça materiais informativos também em braille.

Alimentação:

  • Ofereça pratos sem glúten, sem lactose e opções veganas.

Brincadeiras e Dança:

  • Brincadeiras como a pescaria e a argola podem ser adaptadas com alvos maiores ou regras simplificadas;
  • Na quadrilha, permita que as pessoas escolham como querem participar (dançando, ajudando a organizar ou acompanhando o ritmo).

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