Design sensorial e comunicação não verbal como aliados na inclusão social de pessoas autistas

No contexto do Abril Azul, a inclusão de pessoas autistas passa pela forma como ambientes e comunicação são estruturados no dia a dia.

Por: Andreza Pereira

 

O Abril Azul, marcado pelo Dia do Autista (02/04), traz consigo diversas campanhas focadas em informação e conscientização, mas e se o problema não for apenas a falta de conhecimento, mas a forma como o mundo é estruturado?

Historicamente, o planejamento de espaços tende a considerar um perfil médio de usuário. Ainda que existam adaptações voltadas à acessibilidade, nem toda barreira é visível e nem toda inclusão se resolve nas soluções mais evidentes. O último Censo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revelou que o Brasil possui 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que corresponde a 1,2% da população, evidenciando a importância de criar ambientes que atendam às necessidades sensoriais e cognitivas dos indivíduos com autismo.

Pensando nisso, a neuroarquitetura surge como um campo que integra princípios da neurociência ao planejamento de espaços, com o objetivo de criar ambientes mais humanizados e alinhados às diferentes formas de percepção. Nesse contexto, o design pode contribuir para atender também às particularidades de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo o bem-estar e conforto sensorial. A minimização de estímulos excessivos, como luzes brilhantes, ruídos altos e uso de cores mais suaves, são alguns exemplos de como os ambientes podem ficar menos sobrecarregados. Diferente da arquitetura comum, os projetos de neuroarquitetura não seguem modelos existentes, mas são personalizados de modo a estimular os cinco sentidos de forma mais equilibrada e acolhedora.

Além dos espaços físicos, a transmissão de informações nesses ambientes também influencia quem os utiliza. A comunicação não verbal torna-se então uma importante aliada para a construção de experiências mais acessíveis. O uso de pictogramas, instruções visuais simples e sinalizações mais intuitivas colaboram para a visualização de um ambiente mais claro e sem excessos.

A partir desses pontos, fica claro que projetar vai além de incluir: é adaptar com intenção, compreendendo que a experiência de cada indivíduo é única, e que ambientes verdadeiramente acessíveis são aqueles que acolhem essa diversidade desde a sua concepção.

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