O Dia dos Namorados e a inclusão: o caminho para garantir o direito de amar e ser amado

Para além do comércio e das comemorações, a data convida a uma reflexão sobre as barreiras que a sociedade impõe à sexualidade e aos relacionamentos PcD.

Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira.

O Dia dos Namorados é uma celebração católica que ocorre no dia 14 de fevereiro ou 12 de junho, como no Brasil, em comemoração aos atos de bondade realizados por São Valentim de Roma. No Brasil, a data difere do resto do mundo por conta da ideia do publicitário João Dória, em 1948, que buscava uma data comemorativa para fomentar o comércio no mês de junho, considerado um mês com poucas vendas na época.

Segundo dados divulgados pelo IBGE, mais de 90 milhões de brasileiros — 51% da população — vivem em algum tipo de união conjugal. E, mesmo que o órgão governamental não contabilize o número exato de pessoas com deficiência que namoram no Brasil, pesquisas oficiais publicadas pelo Jornal Laboratório do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia indicam que, entre os mais de 18 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, a maioria dos homens, cerca de 58%, e 42% das mulheres vivem em algum tipo de união.

Porém, apesar dos números expressivos de casais que possuem algum tipo de deficiência, o preconceito para com essas uniões ainda é bem propagado socialmente, como indicado pelo blog Freedom, em sua matéria “Relacionamento e pessoas com deficiência: como superar inseguranças”: “Pessoas com deficiência, com muita frequência, sofrem com a invisibilização de questões como sexualidade, desejo e namoro. Apesar da luta diária para existir em um mundo cheio de preconceito, ainda há quem questione a autonomia de PcDs quando o assunto é relacionamento e pessoas com deficiência.Uma pesquisa publicada pela Revista Brasileira de Sexualidade Humana complementa essa informação, dizendo: “As principais barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência na vivência da sexualidade e dos relacionamentos não decorrem da deficiência em si, mas de obstáculos sociais, familiares e culturais que limitam sua autonomia afetiva.

Apesar desse estereótipo, em 2024, o casal Emilly Bulgarelli, de 20 anos; e Moisés Reis, de 21 anos, ambos com síndrome de down, viralizaram nas redes sociais ao compartilhar sua história com os internautas, quebrando o tabu sobre o namoro entre pessoas com deficiência. Em uma matéria divulgada pelo portal G1, a família do casal, que se conheceram ainda crianças, contou detalhes da infância e do pedido de namoro.

“Moisés foi pedir a bênção do pai dela, que rezou uma cartilha para ele. Mesmo tremendo e chorando, Moisés colocou a aliança nela”, relembra Sandra Rodrigues, mãe de Emily.

Emilly e Moisés estão juntos há 8 meses
Casal com Síndrome de Down ficou conhecido nas redes sociais — Foto: Artiê – Thamires Milani. Reprodução / Arquivo pessoal.

Segundo a família, o casal adora passar o tempo junto, seja jogando futebol, passeando no shopping ou participando de festas de aniversário. Para eles, o que realmente importa é a companhia. Para o futuro, Moisés e Emilly planejam casar, comprar uma casa e construir uma vida juntos, até mesmo ter filhos gêmeos.

Histórias como a de Emilly e Moisés mostram que os relacionamentos e projetos de vida não são limitados pela deficiência, mas muitas vezes pelas barreiras impostas pela sociedade. Neste Dia dos Namorados, a reflexão vai além da celebração do amor. É também um convite para reconhecer a autonomia, os desejos e o direito de pessoas com deficiência de viverem plenamente suas experiências afetivas. Afinal, inclusão também significa garantir que todos possam amar e ser amados.

Compartilhe!