Entenda como um teste tão simples é essencial para o diagnóstico precoce de doenças raras.
Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira.
A Triagem Neonatal Biológica, popularmente conhecida como “Teste do Pezinho”, é um direito de todos os recém-nascidos vivos. Sendo obrigatório por lei desde 2001, deve ser realizado em todo o território nacional. Em 2026, o Dia Nacional do Teste do Pezinho, celebrado dia 6 de junho, será ainda mais especial, pois marca o aniversário de 50 anos da chegada do exame no Brasil.
A partir desse teste, é possível detectar em tempo hábil uma série de doenças genéticas e metabólicas que podem comprometer o desenvolvimento desses bebês. O período ideal para a realização do exame é entre o 3.º e o 7.º dia de vida, pois, nesse período, o recém-nascido já foi alimentado o suficiente para evitar falsos negativos nas patologias dependentes da amamentação, como doenças metabólicas.
Foto: Teste do pezinho. Fonte: Prefeitura de Niterói.
Esse avanço na medicina ganhou mais um capítulo em maio de 2021, quando foi sancionada a Lei n.º 14.154/2021, alterando o Estatuto da Criança e do Adolescente para ampliar o Programa Nacional de Triagem Neonatal no SUS. A proposta expandiu o teste de seis para mais de 50 doenças, incluindo Atrofia Muscular Espinhal (AME).
Entretanto, mesmo imposto por lei, apenas Distrito Federal, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul fazem esse rastreamento, de acordo com o Instituto Nacional de Atrofia Muscular Espinhal, o INAME. A presidenta do Instituto, Diovana Loriato, reforça a importância da ampliação dos testes na detecção de doenças raras:
“Quando a AME é identificada logo após o nascimento, é possível iniciar o tratamento dentro da janela terapêutica adequada, eliminando ou reduzindo consideravelmente os sintomas. Isso evita óbitos e melhora a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.”
Além de ter um papel significativo na detecção de doenças, o teste também pode contribuir com os gastos no sistema de saúde. Um estudo conduzido por especialistas do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP mostrou que, a cada R$ 1 investido na triagem neonatal para AME, há uma economia de R$ 5 para o sistema de saúde. Isso porque o diagnóstico precoce pode impedir os avanços da doença, evitando assim cirurgias, tratamentos mais complexos e necessidade de cuidados a longo prazo.
O Teste do Pezinho vai muito além de um exame obrigatório. O exame é uma ferramenta essencial para garantir mais saúde e qualidade de vida para milhares de bebês. A realização do teste dentro do período correto pode transformar completamente o futuro desses recém-nascidos, dando a eles a oportunidade de tratamento precoce. Por isso, além das responsabilidades do Estado, é fundamental que pais e responsáveis estejam atentos à importância do “Teste do Pezinho”.


