Dia do Estudante: 99 anos de avanços e desafios para uma educação inclusiva

Às vésperas do centenário da data, direitos educacionais avançam, mas a inclusão ainda é um desafio no Brasil. Por: Manuela Mineiro & Douglas Ferreira. No dia 11 de agosto de 1827, Dom Pedro I assinou o decreto que criou os primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do Brasil. A data foi oficializada em 1927 para marcar o centenário de criação, dando origem ao “Dia do Estudante”. Passados 99 anos da comemoração, os direitos dos estudantes têm se ampliado, com novas leis e diretrizes que garantem a permanência e o aprendizado de toda criança e adolescente, como a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990, que instituiu um marco legal regulatório da proteção integral aos menores de 18 anos no país. Mais adiante, em 2004, o Ministério Público Federal, em parceria com órgãos de direitos humanos, divulgou o documento “O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular”. O registro é um marco na orientação para a construção de sistemas educacionais inclusivos, estabelecendo diretrizes fundamentais para garantir o direito à educação igualitária no Brasil. Apesar da ampliação das leis, a pauta ainda está em desenvolvimento, como discutido pela especialista em educação especial, Tathiane Rubin Rodrigues Cuesta, ao portal “g1”: “Incluir não é apenas adaptar o aluno à escola, mas transformar a escola para todos. Trata-se de romper com a lógica de integração, na qual o aluno deve se ajustar a um padrão, e adotar práticas pedagógicas que se flexibilizam para responder às singularidades de cada estudante. Isso exige formação docente contínua, reestruturação curricular, colaboração entre profissionais e envolvimento da comunidade escolar.” Além dos avanços na legislação, a importância de um ensino inclusivo também se reflete na segurança e na confiança de milhares de mães e pais no sistema de ensino. Patrícia Pereira Campassi, de 30 anos, conta como foi o começo da vida escolar do seu filho, Lorenzo, criança com microcefalia, não oratória e com restrição de movimentos: “Na educação infantil, ele era o único [com microcefalia] lá na escola; ele tinha uma atenção, um afeto. As crianças eram apaixonadas [por ele], as cuidadoras também. Da maneira dele, eu recebia essa informação de que ele estava sendo bem cuidado. Estava contente, sorrindo bastante, e isso que me deixava tranquila”, recorda a mãe, também para o portal “g1”. Às vésperas do centenário do “Dia do Estudante”, que será celebrado em 2027, a data reforça a importância de reconhecer os avanços conquistados e os desafios que ainda permanecem. A expectativa é que os próximos anos sejam marcados pela construção de uma educação cada vez mais inclusiva e acessível.
Lei de Cotas: 35 anos de avanços e desafios para a inclusão de pessoas com deficiência

Entenda os principais desafios para a inclusão de PcDs no mercado de trabalho e conheça medidas que ajudam a tornar esse processo mais eficaz. Por: Manuela Mineiro & Douglas Ferreira. Em 24 de julho de 1991, há 35 anos, foi sancionada a Lei nº 8.213/91, conhecida como Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência, que determina que empresas com 100 ou mais trabalhadores reservem de 2% a 5% de suas vagas para pessoas com deficiência. A implementação dessa lei é mais um passo importante na inclusão de PcDs na sociedade. Ao longo dessas três décadas, a lei contribuiu para a inclusão ampla no mercado de trabalho, como explica Karem Resende, coordenadora do “Coletivo Nacional de Trabalhadores da CUT”: “A Lei de Cotas é um marco importante porque trouxe visibilidade e obrigatoriedade na contratação de pessoas com deficiência, um avanço significativo no aumento da inclusão no mercado formal. É uma lei que ajudou a fortalecer essas pessoas a terem direito ao trabalho digno”, afirma. Segundo análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), nos últimos 10 anos a inclusão do trabalhador e trabalhadora com deficiência cresceu significativamente. Entre 2011 e 2021, passou de pouco mais de 324,4 mil para quase 521,4 mil, um aumento de 60,7% (quase 197 mil vínculos a mais). Mesmo com os avanços, um dos maiores desafios da implementação da lei de cotas no mercado de trabalho ainda é o preconceito e a falta de conscientização das empresas. Para Karem, o problema está na fiscalização: “A fiscalização da lei de cotas é feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mas tem sido insuficiente porque muitas empresas só são fiscalizadas quando há denúncias.” Apesar da pouca fiscalização, dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) mostram que, no mesmo período, o emprego de pessoas com deficiência cresceu 60% acima da média geral. Além disso, 93% desses trabalhadores estão em empresas que cumprem a Lei de Cotas, evidenciando a eficácia da legislação. Ainda assim, a medida continua sendo um trabalho em progresso. Pensando nisso, reunimos aqui algumas práticas que podem contribuir na etapa de seleção e inserção completa de PcDs no mercado de trabalho: Acessibilidade Física e Tecnológica: Espaços físicos: Instalar rampas, elevadores, portas largas e banheiros adaptados. Sinalização: Usar pisos táteis, braille e avisos sonoros ou visuais nos ambientes. Ferramentas digitais: Adotar softwares com leitores de tela, legendas em vídeos e materiais acessíveis. Recrutamento e Seleção: Avaliar o profissional pelas suas habilidades e experiências, e não pela deficiência. Desenhar descrições de cargo claras, entendendo quais adaptações o posto precisa sem criar barreiras falsas. Perguntar antecipadamente se o candidato precisa de algum suporte especial para participar do processo seletivo. Conscientização e Cultura: Promover palestras e treinamentos para educar líderes e equipes sobre como conviver e respeitar as diferenças. Criar canais seguros ou anônimos para que os colaboradores possam dar feedbacks sobre o ambiente de trabalho. Conversar individualmente com o funcionário para entender se ele precisa de ajustes na rotina ou no formato de entrega das tarefas.
A paixão que une milhões

Do Campeonato Brasileiro à Copa do Mundo, histórias mostram que o futebol ganha ainda mais força quando é acessível para todos. Por: Manuela Mineiro & Douglas Ferreira. No último domingo, dia 19 de julho de 2026, chegou ao fim a 23ª edição da Copa do Mundo FIFA. A Espanha conquistou o bicampeonato mundial, ganhando de 1×0 contra a Argentina, em Nova Jersey. A Seleção Espanhola de Futebol Masculino já havia sido campeã, pela primeira vez, em 2010, na África do Sul. A partida ocorreu no Metlife Stadium, estádio com capacidade para 82.500 pessoas e ampla acessibilidade a todos os públicos. O local conta com elevadores, rampas e assentos adaptados em todos os níveis e já foi amplamente elogiado por sua infraestrutura ímpar em blogs voltados para pessoas com deficiência (PcDs), como no artigo escrito em 2014 por Ricardo Shimosakai, tetraplégico e referência em acessibilidade funcional. Em seu blog, ele destacou: “Além da infraestrutura acessível, a equipe de atendimento está preparada para oferecer suporte e garantir uma experiência inclusiva a todos os visitantes.” Entretanto, essa infraestrutura acessível para um campeonato mundial está longe de ser uma realidade em campeonatos regionais, por exemplo. Em entrevista para o “ge”, Cláudio, cadeirante, e sua esposa Karla, compartilharam as dificuldades que enfrentam nos estádios: “Os problemas são diversos. Falta de informação sobre onde é a entrada do espaço acessível para o PCD, falta de salas sensoriais para os autistas, obstrução da visão porque a cadeira do público está no mesmo nível do espaço do cadeirante… Quando os torcedores se levantam, consequentemente nossa visão é atrapalhada. Uma lista enorme de problemas”, contou Cláudio. O casal visita estádios ao redor do mundo e compartilha suas experiências nas redes sociais, visando à inclusão nas partidas: “Nosso objetivo é buscar melhorias. A gente nota que um baixo número de PCDs e deficientes frequentam estádios de futebol e arenas por falta de informação. Quando falamos em futebol para todos, não é só na teoria. Tem que ser para todos, independentemente da condição física”, reforçou. Cláudio é apenas um exemplo de pessoa que, mesmo com as barreiras que uma vida com uma deficiência impõe, não deixa de exercer seu direito de torcedor. Nikkolas Grecco, de 11 anos, e sua mãe, Sílvia, foram destaque em 2018 após serem flagrados assistindo ao clássico paulista Palmeiras x Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro daquele ano, vencido pelo alviverde por 1 a 0. Os holofotes vieram ao perceberem que Nikkolas era deficiente visual e o jogo era todo narrado por sua mãe. Em entrevista para o “ge”, Silvia conta: “Tudo começou pelo amor pelo Palmeiras. Ele não podia ver os lances, mas podia senti-los como poucos. E foi assim, com o sentimento pulsando no coração alviverde, que ele conheceu o estádio por dentro: vestiu a camisa, entrou no vestiário, pisou no gramado, tocou o símbolo que tanto ama, encostou na taça da Libertadores. Por fim, escutou o hino – o som que mais mexe com ele”, explicou. Em 2019, um ano após a matéria publicada, Silvia ganhou o prêmio “Fifa Fan Award”, honraria dedicada aos torcedores e fãs de futebol durante a cerimônia Fifa The Best, em Milão. No discurso de agradecimento, Silvia Grecco emocionou a todos e fez questão de destacar também a linda história de Justo Sánchez, uruguaio fã do Cerro, mas que passou a acompanhar os jogos do rival Rampla Juniors em homenagem ao filho falecido. Histórias como essas mostram que a paixão pelo futebol vai além das diferenças e tem o poder de unir pessoas. Para que essa emoção seja vivida por todos, a acessibilidade precisa fazer parte do jogo, dentro e fora do campo. Afinal, quando todos podem torcer, celebrar e compartilhar esse momento, quem realmente vence é o futebol.
Maternidade e Deficiência: O olhar de quem cuida e também precisa de cuidado

Lições de amor e resiliência da mais forte barreira contra a exclusão: as mães. Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira. No Brasil, segundo dados do IBGE, cerca de 14 milhões de pessoas possuem alguma deficiência. Muitas vezes essas pessoas não têm assistência médica adequada e precisam se apoiar, quase que inteiramente, no suporte oferecido apenas por sua família, que muitas vezes é apenas a mãe. Um levantamento do Instituto Baresi, em 2012, revelou que cerca de 78% dos pais abandonaram as mães de crianças com deficiências e doenças raras, antes de os filhos completarem 5 anos. Para Kelly, médica e mãe de três crianças, a trajetória da maternidade atípica é marcada por uma dualidade entre a busca por estrutura e autoconhecimento. Em entrevista ao Genial Care, ela conta que os principais desafios manifestaram-se no impacto emocional do diagnóstico, que trouxe um misto de “estar perdida” com o alívio de finalmente ter um norte para buscar intervenções. Além da ansiedade, é fundamental aprender a enxergar a criança além das limitações. Para isso, é indispensável que a mãe também tenha um acompanhamento psicológico adequado. Andressa, mãe diagnosticada com TAB (Transtorno Afetivo Bipolar) e TDA (Transtorno de Déficit de Atenção), conta ao Genial Care como é ser uma mãe atípica: “A culpa não é sua, é algo que simplesmente acontece. Procure sua rede de apoio e faça acompanhamento psicológico. Nós também precisamos nos olhar e, nos olhando, conseguimos cuidar e educar cada vez melhor nossos filhos.” É de suma importância, então, que a sociedade contribua para que esses filhos tenham uma vida digna nos seus ambientes de lazer e trabalho, com mais inclusão e acessibilidade. Pois, ao proporcionarmos isso a eles, também estaremos reconhecendo a singularidade de cada criança e fortalecendo suas redes de apoio. Mais do que um esforço coletivo, essa é uma oportunidade de construir um futuro mais humano e acolhedor, retribuindo um pouco do amor que as mães dão a seus filhos todos os dias.
Pressione Start para a Inclusão: O Papel da Mídia e da Tecnologia no Acesso aos Games

De um jogo criado para pessoas com “diferentes habilidades” até à Gamescom: A Longa Jornada da Acessibilidade nos Games. Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira. Em 1950, o físico e engenheiro canadense Josef Kates criou o primeiro jogo considerado acessível da história, o “Bertie The Brain”, uma espécie de “jogo da velha”, mas simulado por um computador de quatro metros de altura com uma inteligência artificial. Segundo especialistas da época, essa criação foi a primeira a incluir níveis de dificuldade, permitindo que o jogo fosse ajustado para pessoas com “diferentes habilidades”. De lá para cá, 76 anos se passaram, e o conceito de jogos e de inclusão evoluiu radicalmente, como é mostrado pela PlayStation no lançamento de The Last Of Us – Parte II, em 2020: “Desde o começo, o objetivo da Naughty Dog sempre foi proporcionar ao maior número possível de jogadores a oportunidade de vivenciar o jogo com os recursos de acessibilidade mais robustos existentes. The Last of Us Parte II inclui mais de 60 configurações de acessibilidade, com opções adicionais focadas na motricidade fina e na audição, além de recursos completamente novos para deficientes visuais”, diz nota da empresa. Dentro do jogo, configurações de acessibilidade visual, auditiva e motora podem ser ativadas conforme a necessidade de jogadores cegos ou com pouca visão; surdos ou com perda auditiva; e com deficiência motora. No último final de semana, entre os dias 30 de abril e 3 de maio, aconteceu um dos maiores eventos de game do mundo: a Gamescom, realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo. Com recorde de público e já consolidada como o maior evento de games da América Latina, a feira reuniu novidades do mercado, palestras e discussões ao vivo sobre o futuro dos jogos, além de partidas entre o público. Para que o máximo de pessoas possa se beneficiar com essas mudanças, é primordial que a forma de divulgação também seja acessível. E, para essa tarefa, o evento contou com a ShowCase, que contribuiu com closed caption ao vivo e tradução simultânea, levando acessibilidade e tecnologia para cada vez mais pessoas. É necessário esforço contínuo por parte da mídia e dos jogadores para que a acessibilidade em games continue evoluindo e o mundo dos games se transforme em algo acessível para todos.
Trabalho Híbrido e Acessibilidade: Novas perspectivas para a inclusão

Como as inovações tecnológicas ampliam o debate sobre acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência no ambiente corporativo. Por: Andreza Pereira e Douglas Ferreira Atualmente, estima-se que cerca de 545,9 mil trabalhadores com deficiência estejam inseridos no mercado formal, segundo dados do eSocial. Esse número está relacionado à implementação e à fiscalização da Lei de Cotas (Lei nº 8.213/91), que estabelece a obrigatoriedade de contratação por empresas com mais de 100 colaboradores. No entanto, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, indicam que a participação dessa população no mercado de trabalho ainda é significativamente inferior à da população sem deficiência, evidenciando que, apesar dos avanços legais, a inclusão ainda não ocorre de forma plenamente equitativa. Nesse contexto, mudanças na dinâmica de trabalho possibilitam que os debates sobre acessibilidade avancem para além do ambiente físico das empresas. A consolidação da tecnologia assistiva como pilar central da jornada laboral possibilitou que a inclusão fosse repensada a partir de novas perspectivas, levando em consideração não apenas a estrutura física, mas, principalmente, as interações e ferramentas digitais que eliminam barreiras de comunicação e execução de tarefas. Sendo assim, a acessibilidade digital assume um papel estratégico para que essa inclusão seja efetiva. O uso constante de plataformas colaborativas e diversas ferramentas de comunicação exige a adoção de recursos que garantam o entendimento claro de informações, como, por exemplo, a disponibilização de legendas automáticas e softwares de reconhecimento de voz, garantindo pleno acesso à vasta diversidade de formatos de interação. A promoção da acessibilidade corporativa por meio de soluções tecnológicas vai além da inserção de ferramentas inclusivas, mas, sobretudo, do desenvolvimento de uma cultura organizacional voltada para a diversidade e equidade. Integrando essas práticas, as empresas garantem a inclusão de pessoas com deficiência e contribuem para a formação de um espaço inovador, colaborativo e alinhado às novas tendências do mercado de trabalho.
Parques acessíveis: O direito ao verde além da legislação

Garantir o acesso aos espaços verdes vai além da legislação e exige ações contínuas para promover inclusão, autonomia e bem-estar. Por: Andreza Pereira Hoje, dia 22 de abril, é celebrado o Dia Mundial da Terra. Nessa data, refletir sobre o acesso democrático à natureza se torna essencial. O contato com ambientes naturais é reconhecido como um pilar essencial para a manutenção da saúde física e mental do ser humano, além de contribuir para a prevenção de doenças e promoção do bem-estar, conforme pesquisa elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para que todos os indivíduos consigam desfrutar dessa experiência de maneira plena, é necessário eliminar barreiras de acesso, garantindo a inclusão e a acessibilidade nos espaços naturais e de uso público. Nesse cenário, o projeto Viva o Verde SP, realizado pela ONU-Habitat e SVMA (Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente), produziu um diagnóstico em 102 parques municipais, visando entender como transformar essas áreas em espaços verdadeiramente inclusivos. Utilizando o conceito de Desenho Universal, que visa criar espaços que possam ser utilizados por todas as pessoas, independentemente de suas características físicas. O estudo estabeleceu indicadores técnicos que avaliam desde a inclinação de rampas de acesso até a presença de sinalização tátil. Os resultados revelaram que, para garantir acessibilidade efetiva e autonomia no exercício do direito ao lazer, é fundamental a padronização de rotas acessíveis. A promulgação da Lei n.º 10.098, de 2000, estabelece que a acessibilidade em áreas públicas, como, por exemplo, os parques, passou a ser obrigatória, trazendo como principal objetivo a eliminação de barreiras, incluindo obstáculos arquitetônicos e urbanísticos. Em São Paulo, locais como o Parque Ecológico Imigrantes e a Trilha do Silêncio, no Parque Estadual do Jaraguá, contam com estruturas adaptadas para que pessoas com diferentes tipos de deficiência possam desfrutar da experiência sem obstáculos. Em alguns casos, também são oferecidos roteiros acompanhados por monitores e profissionais capacitados, mediante agendamento. Apesar da legislação, a consolidação dessas medidas depende da fiscalização contínua do poder público. O monitoramento garantirá que as adaptações físicas e sensoriais funcionem para além da implementação, mas que operem em pleno funcionamento, de forma a impulsionar que os investimentos realizados sejam revertidos em benefícios permanentes à saúde e ao bem-estar de toda a população.
Design sensorial e comunicação não verbal como aliados na inclusão social de pessoas autistas

No contexto do Abril Azul, a inclusão de pessoas autistas passa pela forma como ambientes e comunicação são estruturados no dia a dia. Por: Andreza Pereira O Abril Azul, marcado pelo Dia do Autista (02/04), traz consigo diversas campanhas focadas em informação e conscientização, mas e se o problema não for apenas a falta de conhecimento, mas a forma como o mundo é estruturado? Historicamente, o planejamento de espaços tende a considerar um perfil médio de usuário. Ainda que existam adaptações voltadas à acessibilidade, nem toda barreira é visível e nem toda inclusão se resolve nas soluções mais evidentes. O último Censo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revelou que o Brasil possui 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que corresponde a 1,2% da população, evidenciando a importância de criar ambientes que atendam às necessidades sensoriais e cognitivas dos indivíduos com autismo. Pensando nisso, a neuroarquitetura surge como um campo que integra princípios da neurociência ao planejamento de espaços, com o objetivo de criar ambientes mais humanizados e alinhados às diferentes formas de percepção. Nesse contexto, o design pode contribuir para atender também às particularidades de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo o bem-estar e conforto sensorial. A minimização de estímulos excessivos, como luzes brilhantes, ruídos altos e uso de cores mais suaves, são alguns exemplos de como os ambientes podem ficar menos sobrecarregados. Diferente da arquitetura comum, os projetos de neuroarquitetura não seguem modelos existentes, mas são personalizados de modo a estimular os cinco sentidos de forma mais equilibrada e acolhedora. Além dos espaços físicos, a transmissão de informações nesses ambientes também influencia quem os utiliza. A comunicação não verbal torna-se então uma importante aliada para a construção de experiências mais acessíveis. O uso de pictogramas, instruções visuais simples e sinalizações mais intuitivas colaboram para a visualização de um ambiente mais claro e sem excessos. A partir desses pontos, fica claro que projetar vai além de incluir: é adaptar com intenção, compreendendo que a experiência de cada indivíduo é única, e que ambientes verdadeiramente acessíveis são aqueles que acolhem essa diversidade desde a sua concepção.
Do Silêncio de 1824 à Voz de 1988: A Evolução da Acessibilidade no Brasil

Do apagamento à garantia de direitos: o longo caminho da acessibilidade no Brasil. Por Andreza Pereira e Douglas Ferreira. Neste dia 25 de março, relembramos o aniversário da primeira Constituição do Brasil, outorgada pelo Imperador Dom Pedro I, em 1824. Embora tenha sido o ponto de partida da nossa independência, com muitos avanços políticos para a época, a exclusão social ainda configurava-se como regra, deixando à margem quem não se encaixava no padrão de “cidadão” daquele século. Um exemplo disso é o fato de que a dignidade das pessoas com deficiência foi totalmente ignorada, e termos como “acessibilidade” e “inclusão” sequer existiam na carta. Além disso, não existiam leis que garantiam o direito de circulação nos espaços públicos, que eram marcados por barreiras visíveis e invisíveis, além da falta de respaldo quanto ao acesso ao mercado de trabalho. A reversão desse cenário levou mais de 160 anos para acontecer, com a Constituição Cidadã de 1988, promulgada por Ulysses Guimarães, então presidente da Assembleia Nacional Constituinte. O documento garantiu proteção social às pessoas com deficiência, proibindo discriminações e determinando a integração social, um avanço que contribuiu significativamente para tirar essa parcela da população da sombra e do ostracismo. Para entender melhor o abismo que separava essas duas realidades, segue abaixo o comparativo entre alguns trechos do texto de 1824 e as conquistas de 1988 em diversas áreas: ÁREA CONSTITUIÇÃO DE 1824 CONSTITUIÇÃO DE 1988 EDUCAÇÃO Sem previsão de acesso para pessoas com deficiência. Direito garantido, com promoção da inclusão. TRABALHO Nenhuma proteção ou política de inclusão. Proibição de discriminação e incentivo à inclusão profissional por meio de cotas. TRANSPORTE Não contemplado; barreiras impediam a locomoção. Diretriz para acessibilidade e mobilidade. CIDADANIA Restrita a uma parcela da população. Universalização de direitos e inclusão social. fonte: https://revistadadpu.dpu.def.br/article/view/203 Nesse contexto, é fundamental que os direitos já previstos constitucionalmente sejam cada vez mais fortalecidos e defendidos, visando à garantia efetiva da inclusão das pessoas com deficiência e à eliminação das barreiras que ainda limitam sua plena participação na sociedade, exigindo um compromisso contínuo com a inclusão e a equidade, assegurando a dignidade e a qualidade de vida daqueles que historicamente foram excluídos e que ainda enfrentam obstáculos para exercer plenamente sua cidadania.
Inclusão PcD no humor brasileiro

Humoristas que trazem inclusão PCD para os palcos e telas do país. Por Leonardo Piza Uma das melhores formas de unir os indivíduos de uma sociedade é pelo humor. A todo momento, pessoas são conquistadas por algo que lhes arranca um sorriso sincero ou uma gargalhada espontânea. Seja uma piada, trocadilho, meme, imitação, etc. Atrair, conquistar e divertir é o principal papel exercido pelos profissionais da comédia, sempre criando proximidade com o público em apresentações ou vídeos de humor. No Brasil não seria diferente. Fazer piada de tudo é uma característica única e peculiar do nosso povo, e em matéria de talento e versatilidade, nossos comediantes dão o nome. E é claro que nossos humoristas PcD não ficam para trás. Por isso, separamos uma lista de profissionais do humor que apresentam alguma deficiência para nos inspirar com suas histórias de vida e suas carreiras de sucesso. Gigante Léo: Leonardo Reis, conhecido artisticamente como Gigante Léo, tem displasia diastrófica, um tipo de nanismo. Seus pais não possuem nanismo, porém ambos possuem o gene recessivo, o que explica o nanismo recessivo do filho. Começou no teatro aos 9 anos de idade, apresentando em um grupo de teatro na igreja em que frequentava. Ele começou a ganhar projeção nacional em 2011 ao ser o vencedor da regional Sudeste II e o vice-campeão geral do 1º Campeonato Brasileiro de Stand-up Comedy, promovido pelo festival Risadaria, maior evento do humor da América Latina. Em 2012, foi o campeão do Prêmio Multishow de Humor sendo a nova revelação do canal Multishow. Em seguida, iniciou sua carreira como roteirista, escrevendo seu programa, “O Diário do Gigante”, junto com Ulisses Mattos. Além disso, foi convidado a fazer participações em programas de emissoras como: TV Globo, SBT e Record. Em 2017, protagonizou o filme Altas Expectativas, que conta a história de um treinador de cavalos verticalmente desfavorecido que tenta conquistar a dona de um Jockey Clube do Brasil. Em seus stand-ups, Gigante Léo gosta de voltar seus textos para a reação das pessoas ao ver e interagir com alguém com nanismo nas ruas, sempre de uma forma divertida. Seu foco nunca foi falar sobre dificuldades enfrentadas, muito menos zombar de pessoas que também possuam a deficiência. Trecho do stand-up: “Eu gostaria de dar dois avisos muito importantes: o primeiro deles é que eu não estou de joelhos. […] O segundo aviso é que não precisa ter medo. Eu não vou descer do palco, eu não mordo.” “Todos somos iguais, apenas temos dificuldades diferentes”. – Gigante Léo. Jeffinho: Jefferson Farias, mais conhecido como Jeffinho, é ator e comediante. Ele possui deficiência visual devido a uma atrofia no nervo ótico, que é sequela de uma trombose cerebral que ele teve aos 11 anos de idade. Jeffinho começou na profissão aos 17 anos e chegou a estudar História na UFF, mas acabou se formando em Teatro pela UniverCidade. Em agosto de 2009, ele assistiu um show de stand-up pela primeira vez na vida e se interessou pelo formato. Determinado, pediu para subir no palco e utilizou o material que tinha consigo. Desde então nunca mais parou de se apresentar. Um de seus personagens mais famosos como ator foi o Ceguinho, em “A Praça é Nossa“, no SBT. No final de 2020, aos 30 anos, ele publicou seu livro “Eu decidi enxergar”, que traz histórias inéditas de sua trajetória enquanto artista e curiosidades dos bastidores ao longo de sua primeira década de carreira. Além de ministrar palestras motivacionais, o comediante encena espetáculos de humor por todo o Brasil, como o “Ponto de Vista“. O comediante procura falar sobre as situações engraçadas de seu dia a dia e a “falta de tato” que as pessoas têm ao se dirigir a deficientes visuais. Ele explica ainda que, em seus shows, não tira sarro de deficientes visuais, mas leva na brincadeira o que as pessoas dizem para ele. “As pessoas não vão para o teatro para rir do cego, elas vão para rir delas mesmas. Elas pensam: ‘ih, realmente, quando eu ajudei uma pessoa com deficiência visual eu fiz isso mesmo’” – afirma Jeffinho. Trecho do stand-up: “Eu tava na balada, uma menina me chamou de deficiente ‘audiovisual’. Quer dizer, eu tô sem som e sem imagem, brother.” “Rir é remédio. É defesa e remédio.” – Jefferson Farias. Ceguinho: Geraldo Magela, apelidado carinhosamente pelo público como Ceguinho, é conhecido em todo o Brasil e no exterior por seu humor e criatividade na superação de sua deficiência visual. Nascido em Belo Horizonte, ele vem de uma família composta por oito irmãos, sendo cinco cegos. Todos acometidos por uma doença conhecida como retinose pigmentar, que provoca perda gradativa da visão. Quanto ao Geraldo, teve dificuldade para enxergar já na infância, e o quadro piorou quando tinha aproximadamente 22 anos. Inspirado pelos programas de rádio que ouvia na adolescência, fez locuções em lojas da cidade natal como propagandista anunciando produtos. A carreira artística começou no rádio. Como ouvinte, ganhou um concurso do programa de Aldair Pinto, grande nome do rádio mineiro. Rapidamente Ceguinho ganhou seu próprio programa de rádio por conseguir conquistar o público de forma única e criativa. Trabalhou em diversas emissoras mineiras: Rádio Inconfidência, Rádio Capital, Rádio Itatiaia. Magela viu sua carreira decolar em 1996, quando lançou o show “Ceguinho é a Mãe” no programa Jô Soares Onze Meia, no SBT. O artista permanece atuante na TV, teatro, e também na Internet. E passou a ser bastante requisitado por diversas empresas e municípios para transmitir sua mensagem cativante em palestras show pelo país. Trecho do stand-up: “A maioria como faz pra atravessar o cego? Pega a gente pelo braço, suspende o braço da gente e aperta. Mas aperta com tanta força que dá impressão que eles têm medo da gente fugir. Eu não quero fugir, eu só quero atravessar a rua.” “Você nunca deve parar, pois quem para só anda para trás. Se você não tentar, já estará derrotado antes mesmo de seguir em frente.” – Ceguinho. Pequena Lô: Lorrane Silva, conhecida por toda a internet
Primeiro personagem com síndrome de down da Disney e o valor da representatividade

Por Ana Andrade Lançado em 28 de abril diretamente pelo Disney+, serviço de streaming de um dos estúdios mais famosos do mundo, Peter Pan & Wendy chama atenção para além da história original sendo recontada, trazendo a representatividade que os tempos atuais exigem ao mesmo tempo em que conserta os erros de sua inspiração. Com 15 anos, o ator Noah Matosfky revoluciona ao interpretar o primeiro personagem importante portador de síndrome de down em um filme da Disney. Tendo conseguido o papel em 2021, o garoto marca sua estreia no cinema interpretando Slightly, o líder dos meninos perdidos, grupo que também é liderado por Peter Pan. Em entrevista para o The Sun, o ator contou um pouco sobre sua experiência no live-action: “Tive muitas falas para aprender muito rapidamente, mas foi emocionante e eu gostei muito”. (Cartaz do ator Noah Matifsky para o filme) OUTROS ACRÉSCIMOS AO ELENCO Além da estreia do ator, o filme também conserta um problema vindo de sua origem: A personagem Tiger Lily. Indígena, a personagem e sua tribo foram representados de forma estereotipada em toda a animação, algo inadmissível para a nova obra. David Lowery, roteirista do novo filme, deu uma entrevista para a Entertainment Weekly em 2018 e aproveitou para esclarecer o assunto antes durante a produção: “O filme original do Peter Pan é obviamente muito racista. Isso tem que ser reparado imediatamente.” Outro acréscimo no elenco foi a atriz Yara Shahidi como Tinker Bell. Ao ser anunciada, a atriz norte-americana sofreu ataques racistas pela internet, sendo apoiada por Halle Berry, a intérprete da Ariel em A Pequena Sereia (2023). Após o lançamento, a atuação de Yara foi elogiada por parte do público. A IMPORTÂNCIA DA REPRESENTATIVIDADE A representatividade que esse filme traz, uma das maiores em filmes da Disney, chama a atenção de forma positiva, ainda que de forma tardia. Após anos com histórias apenas de personagens brancos e sem deficiência, a abertura para mais diversidade nas tramas e no elenco vem para representar uma humanidade tão plural como a nossa, mesmo em um filme de fantasia. Afinal, as obras são justamente para crianças, e a alegria delas em se verem na tela deve ser valorizada, e também protegida. Porém, o caminho para que as pessoas entendam a importância e o foco dessa representatividade após anos com um padrão milimetricamente definido ainda é longo, envolvendo muito mais do que o cinema. Poucas são as alterações feitas em live-actions ou outros tipos de adaptações que não recebem comentários de ódio. Os focos são, principalmente, em mudanças de etnia e sexualidade. Em alguns casos, atores e atrizes são obrigados a limitar comentários em suas publicações, ou então apagar suas próprias redes sociais para que ataques diretos cessem. As críticas, muitas vezes, são baseadas na versão original da obra. Em Peter Pan & Wendy, por exemplo, ataques racistas foram feitos porque a Tinker Bell, em diversas animações, é branca e loira. No live-action mais recente, porém, sua intérprete é negra. O mesmo acontece em A Pequena Sereia, com estreia programada para 25 de maio de 2023, onde a protagonista é interpretada por Halle Berry, também negra. Em um mundo preconceituoso, mudanças como as citadas também são atos de coragem, principalmente dos atores, alvos dos ataques de ódio, principalmente virtuais. Porém, para as crianças, uma maior representatividade pode lhes mostrar que sim, ela pode ser o que quiser. Desde menino perdido, fada ou até uma sereia.
Governo Federal retoma políticas de assistência à pessoas com deficiência

Por Gabriel Viera Nova composição do Governo Federal retoma políticas de assistência à pessoas com deficiência, medidas contrastam com atitudes tomadas pela gestão anterior. O início do terceiro mandato não-consecutivo de Luís Inácio Lula da Silva (PT), foi marcado por atitudes direcionadas ao asseguramento de direitos para pessoas com deficiência. Na cerimônia de posse, o influenciador Ivan Baron, que possui mobilidade reduzida por consequência de meningite viral, foi um dos oito convidados para passar para o petista a faixa presidencial. Ainda no primeiro dia de legislatura, Lula revogou duas Medidas Provisórias não condizentes com as diretrizes do Estatuto da Pessoa com Deficiência estabelecidas no governo anterior, de Jair Messias Bolsonaro (ex-PL). As atitudes são simples, mas marcam o início de um novo contexto sócio-político para as pessoas com deficiência, que nos últimos quatro anos, tiveram secretarias e normatizações sucateadas em contraposição a mais de uma década de assistência crescente. A primeira MP revogada por Lula foi o de n° 10.177/2019, que reconfigurava o aparelhamento institucional do Conselho Nacional das Pessoas com Deficiência (Conade), dificultando significativamente seu funcionamento. O decreto foi elaborado sem a participação social de pessoas com deficiência e cessou atividades do órgão durante meses. A segunda MP foi a de n° 10.502/2020, que, em plena pandemia, instituiu a Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida, que promovia a criação de escolas exclusivas para PCDs e possibilitava a instituições não-acessíveis recusar efetuar a matrícula de estudantes com deficiência, em vez de providenciar mecanismos de inclusão. A Medida entrava em confronto com o Decreto n° 6.094/2007, regulador da Política Nacional de Educação Especial na perspectiva Inclusiva, que estimula a criação de políticas públicas de atendimento adaptado a esses alunos. Na cerimônia de posse, Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto, em Brasília, acompanhado por oito civis, representantes de oito dos grupos de diversidade que constituem o Brasil. Dentre eles, estava Ivan Baron, influenciador digital. O jovem conta com quase 500 mil seguidores nas suas redes sociais e produz conteúdo anti-capacitismo, provendo informações, reflexões e discussões sobre acessibilidade, inclusão e direitos das pessoas com deficiência. Ivan possui mobilidade reduzida, pois aos três anos sofreu paralisia cerebral após contrair meningite viral. “Acolher quem é desacreditado e ressignificar o destino que já foi traçado”, dizia escrita na jaqueta do jovem que passou, quando criança, por uma paralisia cerebral resultante da infecção. Ainda nos primeiros dias do novo governo, o nome de Anna Paula Feminella foi anunciado como o mais novo responsável pela direção da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, SNDPD. Na cerimônia de posse, realizada durante a 131ª Reunião Ordinária do Conselho do Conade, a especialista em educação e inclusão de pessoas com deficiência contou assinou, com Marco Menezes, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, um acordo de parceria com o grupo oriundo da Fiocruz, retomando três dos pilares que mais dificultaram o exercício da cidadania das PCDs na última gestão: inclusão, educação e saúde. Fontes: https://www.terra.com.br/amp/nos/propostas-do-governo-lula-para-a-populacao-com-deficiencia-sao-minimas-e-obvias,095020a2918657226d0047c77036abf0bafj3n73.html https://www1.folha.uol.com.br/amp/educacao/2023/01/ato-de-lula-poe-fim-a-inseguranca-juridica-de-alunos-com-deficiencia-diz-especialista.shtml https://portal.fiocruz.br/noticia/ensp-e-secretaria-nacional-dos-direitos-da-pessoa-com-deficiencia-assinam-acordo-de https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/opiniao/2023/01/24/nao-existe-inclusao-sem-acessibilidade-governo-lula-ainda-derrapa-no-tema.htm?cmpid=copiaecola https://guiadoestudante.abril.com.br/noticia/lula-revoga-decreto-de-bolsonaro-que-segregava-estudantes-com-deficiencia/amp/
PcDs no Mercado de Trabalho e as barreiras persistentes do Capacitismo

Por Helena Simionatto A inclusão e a acessibilidade no mercado de trabalho são temas que ganharam grande destaque nas últimas décadas, impulsionados pela crescente conscientização sobre os direitos das pessoas com deficiência e pela necessidade de promover a diversidade e a equidade nas empresas e na sociedade como um todo. Com decretos de leis que fundamentalmente garantem os direitos das pessoas com deficiência, é quase impossível ouvir alguém dizer que é contra a inclusão e a acessibilidade, inclusive, as empresas cada vez mais divulgam adotar práticas inclusivas em seus processos seletivos e rotinas de trabalho. Nesse processo, temos alguns marcos de extrema importância, como a Lei de Cotas que, desde 1991, obriga empresas a garantirem a contratação de uma porcentagem de pessoas com deficiência, e da promulgação da Lei Brasileira de Inclusão, que entrou em vigor no ano de 2015 e consolidou uma série de direitos discutidos na Convenção dos Direitos das Pessoas com deficiência, promovido pela ONU. No entanto, ainda há muito a ser feito para que essas leis sejam de fato aplicadas e para que a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho se torne uma realidade efetiva. Apesar dos avanços conquistados, as estatísticas revelam que essa ideia de inclusão e acessibilidade não reflete exatamente o que ocorre na realidade, apontando para uma persistência de barreiras e preconceitos que dificultam que essas iniciativas sejam colocadas em prática. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2019, mesmo antes do impacto causado pela pandemia COVID-19, o número de pessoas com deficiência formalmente empregadas correspondia a apenas 0,98% dos trabalhadores com carteira assinada, sendo que, segundo o IBGE, pelo menos 25% da população brasileira possui algum tipo de deficiência. Essa discrepância pode ser explicada, em parte, pela falta de regulamentação específica e aplicabilidade das propostas apresentadas pela legislação. Embora os avanços e diretrizes alcançados tenham sido importantes, sua implementação ainda enfrenta muitos desafios e obstáculos, sendo o capacitismo um dos principais deles. Mas o que é o Capacitismo? O capacitismo é uma forma de discriminação ou preconceito contra pessoas com deficiência, que se baseia na crença de que a deficiência é uma condição negativa ou inferior. A suposição de que corpos com deficiência têm menos valor, são menos capazes ou menos inteligentes está atrelada a construções sociais reforçadas há séculos e que limitam a participação plena e igualitária de pessoas com deficiência na sociedade. Essas construções sociais criam barreiras físicas ou de comunicação que dificultam o acesso de pessoas com deficiência a oportunidades culturais, educacionais e profissionais, restringindo-as a atividades consideradas mais fáceis ou menos qualificadas. Essas barreiras podem ser visíveis ou invisíveis, e muitas vezes são perpetuadas pela falta de conhecimento e conscientização sobre as necessidades e habilidades das pessoas com deficiência. Por exemplo, muitas empresas ainda não oferecem adaptações razoáveis para seus funcionários com deficiência, como equipamentos de tecnologia assistiva, intérpretes de língua de sinais ou rampas de acesso. Além disso, muitas vezes há uma falta de representação adequada de pessoas com deficiência na mídia e na cultura popular, reforçando estereótipos negativos e limitantes. O capacitismo também pode se manifestar em atitudes e comportamentos que desconsideram as necessidades e desejos das pessoas com deficiência, como a infantilização, a superproteção ou a negação de sua autonomia. Essas atitudes podem levar a uma falta de respeito pelos direitos das pessoas com deficiência e impedir seu pleno desenvolvimento e participação na sociedade. É importante destacar que o capacitismo não se limita apenas a essas crenças e discriminações explícitas. Podemos pensar “Mas eu não acho que PdDs são inferiores, logo, não sou capacitista”, mas ele também pode se manifestar de outras formas, como por meio de piadas ou da adjetivação das deficiências para uso pejorativos. Muitas vezes, essas expressões são tão comuns e naturalizadas na sociedade que parecem estar desconectados de seus significados originais, mas é fundamental que eles sejam resgatados e reconhecidos, questionar sua origem e o que representam. Para combater o capacitismo, é necessário reconhecer e valorizar a diversidade humana e a contribuição das pessoas com deficiência em todas as áreas da sociedade. Por isso, é fundamental que as pessoas estejam atentas às suas próprias atitudes e comportamentos, ao mesmo tempo, em que as empresas se esforcem para adotar de fato medidas de acessibilidade e adaptação, capacitação e valorização das pessoas com deficiência, ofertando oportunidades de desenvolvimento e progressão na carreira, além da promoção de um ambiente de trabalho acolhedor, respeitoso e livre de preconceitos. O capacitismo é um problema grave e generalizado em muitas sociedades, ao adotarmos essas medidas, estaremos não apenas combatendo esse problema, mas também promovendo a inclusão e a diversidade no ambiente de trabalho e na sociedade como um todo. Referências https://www.forbes.com/sites/roberthart/2023/03/08/elon-musk-apologizes-after-publicly-mocking-disabled-twitter-employee/?sh=632f62b6455d https://noticias.unb.br/112-extensao-e-comunidade/5957-mesa-redonda-discute-inclusao-de-pessoas-com-deficiencia-no-mercado-de-trabalho-e-na-universidade https://www.rhportal.com.br/artigos-rh/mercado-de-trabalho-para-pcd/
Futsal Down: O esporte como ferramenta de inclusão

Por Thammy Luciano A prática da atividade promove a autonomia e o bem-estar de crianças, jovens e adultos. No dia 21 de março, foi celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down. A data tem como propósito recordar e conscientizar todos sobre a luta cotidiana pela equidade dos direitos e a inclusão das pessoas com Síndrome de Down. Visando promover a qualidade de vida e contribuir para desenvolver cada vez mais a autonomia, o esporte tornou-se uma ferramenta de inclusão para crianças, jovens e adultos. Entre tantas atividades, o futsal vem conquistando espaço e tornando-se uma das escolhas favoritas. Dizer que o Brasil é o país do futebol, é uma unanimidade, mas também podemos declarar orgulhosamente que temos a melhor Seleção de Futsal Down do mundo. Há 15 anos, após ter se aposentado dos gramados, o ex-jogador do Corinthians, Cleiton Monteiro, passou a treinar a primeira equipe de futsal para pessoas com síndrome de Down. O time montado em parceria com o Corinthians e a Associação Paradesportiva JR, tornou-se referência no país e deu o pontapé inicial para a popularização do futsal Down. Pouco tempo depois, em 2011, Monteiro assumiu o dever de montar a Seleção Brasileira de Futsal Down, que conquistou seu primeiro título em 2019. Seleção Brasileira de Futsal Down na conquista do bicampeonato mundial. Reprodução: (Foto: Marcos Riboli) Em 2022, a equipe masculina de futsal Down foi bicampeã mundial contra os maiores rivais do Brasil, a Argentina. O torneio que aconteceu em Lima, no Peru, foi conquistado pelos brasileiros com o placar de 5 a 1, concretizando o talento e a qualidade da equipe invicta em cinco jogos. Em entrevista ao Terra, em março de 2022 por Rosana Ferreira, Cleiton Monteiro disse que os atletas com Down passam por treinamentos próximos aos de times profissionais e o cuidado com o grupo é um diferencial. Inclusão A prática do esporte traz inúmeros benefícios para a pessoa com a Síndrome de Down. Além de melhorar a qualidade de vida, o futsal trabalha a coordenação, o desenvolvimento cognitivo, o psicológico, ajudando a aprender a ganhar, perder e lidar com seus sentimentos, e contribui para o bem-estar social, uma vez que estar em grupo leva o atleta a interagir com outras pessoas, aprendendo a trabalhar em equipe. O futsal como ferramenta de inclusão social, de acordo com Claudete de Lima, Coordenadora do Centro Síndrome de Down de Campinas, em entrevista ao Correio Popular em março, é um método eficaz no desenvolvimento de crianças, jovens e adultos. Apesar da promoção da inclusão social através do esporte, o futsal Down enfrenta uma luta diária para manter as atividades e permitir que os atletas de equipes masculinas e femininas continuem em ação e participando de competições. A falta de incentivo e investimento prejudica os times. Embora a Seleção Brasileira de Futsal Down tenha destaque mundial, para participar do campeonato em que conquistou o segundo título foi necessário arrecadar recursos a partir de uma vaquinha virtual, para as passagens aéreas, hospedagem e alimentação dos atletas. Além disso, por não fazer parte do programa paraolímpico, o futsal Down encara dificuldades para receber apoio e ganhar visibilidade. Ainda que a luta pela equidade seja cotidiana, o futsal Down sobrevive e segue firme, criando um legado e compondo uma história de vitórias. O suporte inicial de Cleiton Monteiro e daqueles que acreditaram em seu projeto, foi e é fundamental para que crianças, jovens e adultos com Síndrome de Down sigam praticando esportes e vivenciando novas experiências. Conheça o Futsal Down Equipe de Futsal Down criando em parceria com a Ponte Preta em 2019. Reprodução: (Foto: Marcos Riboli) Ponte Preta S21 O projeto em parceria com a Ponte Preta, equipe de futebol de Campinas, teve início em 2019 e conta com mais de 50 atletas a partir dos 6 anos de idade, nas categorias de futsal masculino e feminino. As atividades são gratuitas e mantidas a partir de trabalho voluntário de profissionais de educação física, pais e amigos. Integrante do FutDown Hortolândia ao lado de Marcos Leonardo em visita ao CT Rei Pelé. Reprodução: (Raul Baretta/ Santos FC). FutDown Hortolândia A equipe mantém atividade na cidade de Hortolândia, São Paulo. O projeto iniciado pela prefeitura da cidade foi criado para promover a inclusão social e atende crianças e jovens de diversas idades. Atletas do Projeto Up ao lado de Maicon durante a visita ao CT Rei Pelé. Reprodução: (Raul Baretta/ Santos FC). Projeto Up/Santos A iniciativa visa promover interações e socializações para pessoas com deficiência através do esporte. O Projeto Up reúne mais de 50 atletas, sendo 20 com Síndrome de Down. Referências:
Maurício de Sousa em: os personagens PCDs da Turma da Mônica

Ações de inclusão e acessibilidade são promovidas pelo Instituto Maurício de Sousa