De um jogo criado para pessoas com “diferentes habilidades” até à Gamescom: A Longa Jornada da Acessibilidade nos Games.
Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira.
Em 1950, o físico e engenheiro canadense Josef Kates criou o primeiro jogo considerado acessível da história, o “Bertie The Brain”, uma espécie de “jogo da velha”, mas simulado por um computador de quatro metros de altura com uma inteligência artificial. Segundo especialistas da época, essa criação foi a primeira a incluir níveis de dificuldade, permitindo que o jogo fosse ajustado para pessoas com “diferentes habilidades”.
De lá para cá, 76 anos se passaram, e o conceito de jogos e de inclusão evoluiu radicalmente, como é mostrado pela PlayStation no lançamento de The Last Of Us – Parte II, em 2020:
“Desde o começo, o objetivo da Naughty Dog sempre foi proporcionar ao maior número possível de jogadores a oportunidade de vivenciar o jogo com os recursos de acessibilidade mais robustos existentes. The Last of Us Parte II inclui mais de 60 configurações de acessibilidade, com opções adicionais focadas na motricidade fina e na audição, além de recursos completamente novos para deficientes visuais”, diz nota da empresa.
Dentro do jogo, configurações de acessibilidade visual, auditiva e motora podem ser ativadas conforme a necessidade de jogadores cegos ou com pouca visão; surdos ou com perda auditiva; e com deficiência motora.

No último final de semana, entre os dias 30 de abril e 3 de maio, aconteceu um dos maiores eventos de game do mundo: a Gamescom, realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo. Com recorde de público e já consolidada como o maior evento de games da América Latina, a feira reuniu novidades do mercado, palestras e discussões ao vivo sobre o futuro dos jogos, além de partidas entre o público.
Para que o máximo de pessoas possa se beneficiar com essas mudanças, é primordial que a forma de divulgação também seja acessível. E, para essa tarefa, o evento contou com a ShowCase, que contribuiu com closed caption ao vivo e tradução simultânea, levando acessibilidade e tecnologia para cada vez mais pessoas.
É necessário esforço contínuo por parte da mídia e dos jogadores para que a acessibilidade em games continue evoluindo e o mundo dos games se transforme em algo acessível para todos.


