A paixão que une milhões

Do Campeonato Brasileiro à Copa do Mundo, histórias mostram que o futebol ganha ainda mais força quando é acessível para todos.

Por: Manuela Mineiro & Douglas Ferreira.

No último domingo, dia 19 de julho de 2026, chegou ao fim a 23ª edição da Copa do Mundo FIFA. A Espanha conquistou o bicampeonato mundial, ganhando de 1×0 contra a Argentina, em Nova Jersey. A Seleção Espanhola de Futebol Masculino já havia sido campeã, pela primeira vez, em 2010, na África do Sul.

A partida ocorreu no Metlife Stadium, estádio com capacidade para 82.500 pessoas e ampla acessibilidade a todos os públicos. O local conta com elevadores, rampas e assentos adaptados em todos os níveis e já foi amplamente elogiado por sua infraestrutura ímpar em blogs voltados para pessoas com deficiência (PcDs), como no artigo escrito em 2014 por Ricardo Shimosakai, tetraplégico e referência em acessibilidade funcional. Em seu blog, ele destacou:Além da infraestrutura acessível, a equipe de atendimento está preparada para oferecer suporte e garantir uma experiência inclusiva a todos os visitantes.”

Entretanto, essa infraestrutura acessível para um campeonato mundial está longe de ser uma realidade em campeonatos regionais, por exemplo. Em entrevista para o “ge”, Cláudio, cadeirante, e sua esposa Karla, compartilharam as dificuldades que enfrentam nos estádios: Os problemas são diversos. Falta de informação sobre onde é a entrada do espaço acessível para o PCD, falta de salas sensoriais para os autistas, obstrução da visão porque a cadeira do público está no mesmo nível do espaço do cadeirante… Quando os torcedores se levantam, consequentemente nossa visão é atrapalhada. Uma lista enorme de problemas”, contou Cláudio.

Foto: Infoesporte/ge

O casal visita estádios ao redor do mundo e compartilha suas experiências nas redes sociais, visando à inclusão nas partidas: “Nosso objetivo é buscar melhorias. A gente nota que um baixo número de PCDs e deficientes frequentam estádios de futebol e arenas por falta de informação. Quando falamos em futebol para todos, não é só na teoria. Tem que ser para todos, independentemente da condição física”, reforçou. 

Cláudio é apenas um exemplo de pessoa que, mesmo com as barreiras que uma vida com uma deficiência impõe, não deixa de exercer seu direito de torcedor. Nikkolas Grecco, de 11 anos, e sua mãe, Sílvia, foram destaque em 2018 após serem flagrados assistindo ao clássico paulista Palmeiras x Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro daquele ano, vencido pelo alviverde por 1 a 0. Os holofotes vieram ao perceberem que Nikkolas era deficiente visual e o jogo era todo narrado por sua mãe.

Em entrevista para o “ge”, Silvia conta: “Tudo começou pelo amor pelo Palmeiras. Ele não podia ver os lances, mas podia senti-los como poucos. E foi assim, com o sentimento pulsando no coração alviverde, que ele conheceu o estádio por dentro: vestiu a camisa, entrou no vestiário, pisou no gramado, tocou o símbolo que tanto ama, encostou na taça da Libertadores. Por fim, escutou o hino – o som que mais mexe com ele”, explicou.

Foto: Facebook

Em 2019, um ano após a matéria publicada, Silvia ganhou o prêmio “Fifa Fan Award”, honraria dedicada aos torcedores e fãs de futebol durante a cerimônia Fifa The Best, em Milão. No discurso de agradecimento, Silvia Grecco emocionou a todos e fez questão de destacar também a linda história de Justo Sánchez, uruguaio fã do Cerro, mas que passou a acompanhar os jogos do rival Rampla Juniors em homenagem ao filho falecido.

Histórias como essas mostram que a paixão pelo futebol vai além das diferenças e tem o poder de unir pessoas. Para que essa emoção seja vivida por todos, a acessibilidade precisa fazer parte do jogo, dentro e fora do campo. Afinal, quando todos podem torcer, celebrar e compartilhar esse momento, quem realmente vence é o futebol.

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