Mais do que companheirismo, os laços da amizade ajudam a combater o capacitismo, fortalecer a autonomia e construir uma convivência mais humana.
Por: Manuela Mineiro & Douglas Ferreira.
Em 20 de julho de 1969, o professor argentino Enrique Ernesto Febbraro, inspirado pela chegada do homem à Lua, criou o “Dia da Amizade”. Para Enrique, esse feito histórico provou que, quando a humanidade se une, é capaz de superar qualquer desafio. Com o passar do tempo, a data se espalhou e deixou de ser celebrada apenas na Argentina, tornando-se popular também em países vizinhos, como Brasil e Uruguai.
O conceito de amizade pode variar de relação para relação. Entretanto, segundo definição publicada pela editora Ultimato: “Amizade é um vínculo afetivo voluntário entre duas pessoas, baseado na confiança, lealdade e reciprocidade. Mais do que uma simples companhia, é uma relação de apoio emocional e aceitação, onde há liberdade para ser autêntico sem julgamentos.”
A partir desse conceito, entende-se que uma amizade verdadeira é baseada na aceitação completa do outro, sem exceção. Essa característica se faz muito presente e adquire uma maior importância nas amizades PcDs.
Em entrevista ao portal “Canção Nova”, a psicóloga Lisandra Borges afirma que a inclusão social é fundamental para o bem-estar das pessoas com deficiência. “Ao longo da minha carreira profissional, observei diariamente como a inclusão social, educacional e profissional proporciona oportunidades de desenvolvimento para essas pessoas. Ao serem incluídas, elas têm a chance de demonstrar suas habilidades e contribuir para o meio em que vivem”, afirma.
Matheus Ferreira, estudante de Rádio e TV e portador de deficiência visual, também afirmou, em entrevista ao portal, que cultivar amizades é fundamental na superação das dificuldades. “Quando se tem amigos que te incluem na sociedade é possível quebrar barreiras”, destaca.

A importância desse tipo de convivência também é reforçada pelo Instituto Meta Social, organização voltada à inclusão. Em uma publicação nas redes sociais, a instituição explicou o conceito de “amigo inclusivo”: “Ser um amigo inclusivo é aquele que checa se o barzinho tem acessibilidade antes de marcar o encontro, é não se importar de repetir a frase para quem tem dificuldade auditiva, é enxergar o potencial do outro, mesmo quando o mundo insiste em duvidar.”
Essas atitudes demonstram como a amizade pode se tornar uma importante aliada da inclusão social. O portal “Jornalista Inclusivo” explica como a inclusão e a amizade devem andar de mãos dadas: “A amizade é um dos rostos mais bonitos da inclusão. Ela faz a pessoa com deficiência ser vista como indivíduo pleno, não apenas como alguém que “precisa de cuidados”. A amizade desarma o capacitismo, ensina empatia e fortalece a sociedade como um todo. Promover amizades é promover igualdade. E essa é uma luta de todos nós”, afirma o site.
A amizade tem o poder de aproximar pessoas, fortalecer a empatia e tornar a convivência mais acolhedora para todos. Quando enxergamos o outro para além de suas limitações e valorizamos suas individualidades, contribuímos para uma sociedade mais humana. Afinal, assim como acreditava Enrique Febbaro, grandes transformações acontecem quando as pessoas se unem. E a amizade pode ser um dos caminhos mais poderosos para construir essa mudança.


