Por Yasmim Verdadeiro Augusto

Há mais de 70 anos, o Movimento Paralímpico acontece no mundo e desde 1972 o Brasil começou a participar dos Jogos Paralímpicos e a conquistar diversas medalhas. Mas qual foi o caminho percorrido até então?

Tudo começou com o médico Ludwig Guttmann, que, em 1948, organizou um torneio de tiro com arco em Stoke Mandeville, na Inglaterra. Os atletas que participaram da competição consistiam em 16 veteranos ingleses da Segunda Guerra Mundial, homens e mulheres pacientes de Guttmann com lesão na medula espinhal.

O torneio foi de tanto sucesso que, em 1952, militares holandeses também passaram a disputar a prova, incentivando o nascimento do movimento internacional atualmente denominado de Movimento Paralímpico. 

Esse movimento chegou também ao Brasil como consequência do contato que pessoas com deficiência, que realizavam tratamento médico nos Estados Unidos, tiveram com o basquete em cadeira de rodas. Dessa forma, essa modalidade paralímpica foi trazida ao Brasil e passou a ser a primeira praticada em território nacional. 

Pioneiros do Movimento Paralímpico no Brasil, o atleta Robson Sampaio de Almeida e o técnico Aldo Miccolis fundaram o Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, em 1958, que tinha como objetivo usar o esporte como meio de reabilitação de pessoas com deficiência.

Dois anos depois da fundação do Clube, houve a primeira edição dos Jogos Paralímpicos, com o atual formato, em Roma, Itália, com 400 inscritos de 23 países. O Brasil, no entanto, não competiu nesta edição dos Jogos. 

O Brasil somente teve sua estreia nos Jogos 12 anos depois, na edição realizada na cidade de Heidelberg, na Alemanha Ocidental. Na ocasião, 20 atletas brasileiros, todos homens, participaram e competiram em 4 modalidades: tiro com arco, atletismo, natação e basquete com cadeira de rodas. Entretanto, nenhuma medalha foi conquistada.

O país subiu ao pódio pela primeira vez 4 anos depois, na edição dos Jogos de Toronto, no Canadá. A primeira medalha foi conquistada por Robson Sampaio de Almeida – o fundador do Clube do Otimismo -, acompanhado de Luiz Carlos, o “Curtinho”, que faturaram a prata na modalidade Lawn Bowls (antecedente da bocha, praticada na grama). 

Desde então, o Brasil garantiu participação em todas as edições dos Jogos, de modo que se fez necessário a fundação, no dia 9 de fevereiro de 1995, do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Na época, a sede do CPB era em Niterói, no Rio de Janeiro. Ademais, no ano seguinte, foi sancionada a Lei Agnelo/Piva, que estabelecia o repasse de parte da arrecadação das loterias federais para os comitês olímpico e paralímpico, de modo que essa verba proporcionou avanços estruturais e técnicos ao paradesporto nacional.

E esses avanços tiveram resultados positivos ao longo de toda a participação brasileira na edição dos Jogos Paralímpicos, de modo que, atualmente, o Brasil soma 301 medalhas conquistadas (das quais 142 são do atletismo), sendo 87 de ouro, 112 de prata e 102 de bronze.

E esses avanços tiveram resultados positivos ao longo de toda a participação brasileira na edição dos Jogos Paralímpicos, de modo que, atualmente, o Brasil soma 301 medalhas conquistadas (das quais 142 são do atletismo), sendo 87 de ouro, 112 de prata e 102 de bronze.

Esse saldo positivo é resultado de uma atuação marcante na maioria das edições dos Jogos nos quais o Brasil participou. Desde 1972, a delegação brasileira só não subiu ao pódio em sua edição de estreia na Alemanha, em 1972, e na edição de 1980, realizada em Arnhem, na Holanda. 

A melhor posição no quadro de medalhas aconteceu na edição de 2012, em Londres, na qual o Brasil ficou com a sétima colocação. Já, em quantidade de medalhas, a principal participação do país aconteceu nos Jogos do Rio, em 2016, quando foram conquistadas 72 medalhas: 14 de ouro, 29 de prata e 29 de bronze. 

Como resultado de todo esse desempenho ao longo dos jogos, o Brasil ocupa, atualmente, a 19° posição no quadro de medalhas baseado na quantidade geral de pódios. Contudo, se contabilizado o quadro de medalhas com base nas conquistas de ouro, o Brasil ocupa o 23º posto mundial. Quem ocupa o primeiro lugar, em ambos os critérios de categorização, são os Estados Unidos, com um total de 771 ouros e 2.179 pódios alcançados ao longo dos Jogos que participou. 

E o que será que os Jogos de Tóquio nos reserva? Torçamos para que o Brasil conquiste ainda mais medalhas, valorizando o rendimento de nossos atletas, muito mais do que enfatizando suas deficiências. 

Está interessado em ter mais informações sobre os Jogos Paralímpicos e sobre a edição de Tóquio? Então, não deixe de acessar o “Guia de Empresa: Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020”, desenvolvido pelo Departamento de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) no link.

Referências das informações e imagens

  • RASILEIRO, Comitê Paralímpico. Guia de Imprensa: Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. 2021. Departamento de Comunicação. Disponível em: https://www.cpb.org.br/upload/link/GuiadeImprensaJogosParalimpicosdeToquio2020.pdf. Acesso em: 17 ago. 2021.
  • BRASILEIRO, Comitê Paralímpico. História. CPB. Disponível em: https://www.cpb.org.br/ocomite/institucional. Acesso em: 17 ago. 2021.
  • BRASILEIRO, Comitê Paralímpico. Jogos Paralímpicos em Números: quantas medalhas o Brasil já conquistou na história? CPB. Disponível em: https://cpb.org.br/noticia/ detalhe/3028/jogos-paralimpicos-em-numeros-quantas-medalhas-o-brasil-ja-conquistou-na-historia. Acesso em: 20 ago. 2021.
  • SILVA, Almeno Campos da. História do Brasil nos Jogos Paralímpicos. 2015. Disponível em: https://medium.com/@AlmenoCampos/hist%C3%B3ria-do-brasil-nos-jogos-paral%C3%AD mpicos-6c77a984e5e2. Acesso em: 17 ago. 2021.