15 anos de GAAD: um convite para repensar o mundo digital

Enquanto o mundo celebra a inclusão, o Brasil enfrenta o desafio de ter menos de 3% de seus sites acessíveis.

Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira.

 

Nesta quinta-feira, dia 21 de maio de 2026, será realizada a 15.ª edição do GAAD: Global Accessibility Awareness Day (Dia Mundial da Conscientização sobre Acessibilidade). O evento, criado em 2012 pelo desenvolvedor americano Joe Devon e pelo profissional de acessibilidade e deficiente visual canadense, Jennison Asuncion, é anualmente realizado na terceira quinta-feira do mês de maio. Ele terá participação gratuita e será composto por apresentações virtuais e ações presenciais de empresas convidadas, com o objetivo de incentivar conversas e aprendizado sobre inclusão digital e acessibilidade para pessoas com deficiência ou limitações. O evento já foi realizado em diversos países, como em 2020, numa edição histórica, em que o Serviço Digital do Governo do Reino Unido realizou um dia de eventos exclusivamente online para aumentar a conscientização sobre a acessibilidade digital.

No Brasil, em 2015, foi criada a Lei n.º 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão (LBI), ou Estatuto da Pessoa com Deficiência. Entre muitos avanços, a norma, baseada na convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, tornou a acessibilidade obrigatória em sites de qualquer empresa ou órgão público, por meio de legendas em vídeos, descrição de imagens, contraste adequado, navegação por teclado, formulários corretamente identificados, links descritivos e ausência de elementos piscantes. Contudo, segundo relatório da BigDataCorp com a Movimento Web para Todos, de 2024, apenas 2,9% dos 26,3 milhões de sites ativos no Brasil são plenamente acessíveis. Nota-se então que, mesmo com normas e leis, a acessibilidade digital ainda é uma pauta em progresso.

Desta forma, para construir uma internet mais inclusiva, precisamos pensar em como deixar os veículos de informação mais acessíveis, por meio de algumas especificações, como explicou Daniel Rufini, Coordenador de Treinamento e Acessibilidade da MicroPower, para o blog Virtual Vision:


Todas as informações de uma página acessível devem ser apresentadas em texto e com navegação via teclado. Isso significa que, se for usada alguma outra mídia, como imagens e sons, as informações que elas contêm devem ser repetidas numa descrição textual. Essa descrição deve ser “equivalente”, isto é, deve transmitir as mesmas informações que os elementos disponibilizados, para que a pessoa com deficiência visual entenda, navegue, interaja e contribua para a internet.

A autonomia de se navegar pela internet é um direito de todo cidadão. Além de cumprir a lei, promover acessibilidade é garantir a participação e acesso à informação por milhares de pessoas, como será reforçado neste dia 21 de maio. Em uma era tecnológica, discutir práticas inclusivas na internet deixa de ser apenas uma necessidade técnica e passa a ser um compromisso social.

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