TV 3.0 e acessibilidade: o que esperar da televisão do futuro?

TV 3.0 E ACESSIBILIDADE

Alexia Alves explica como a inteligência artificial e novas tecnologias podem ampliar o acesso ao audiovisual. Por: Redação Click Inclusão. Desde a chegada da televisão ao Brasil, em 1950, com a TV Tupi, o audiovisual passou por grandes transformações, acompanhando o avanço da tecnologia e a crescente necessidade de tornar seus conteúdos acessíveis a diferentes públicos. É nesse cenário de mudanças e inclusão que Gabriel Derisio, apresentador do podcast “Conectar Marketing”, conversa com a especialista em acessibilidade Alexia Alves, coordenadora de produção da SHOWCASE, sobre o futuro da televisão. Confira a entrevista:   [GABRIEL] “A TV ainda é o maior tipo de investimento de produção no Brasil. E, com 14 milhões de pessoas com deficiência, quanto mais acessível, melhor. Você acha que as produtoras têm pensado na acessibilidade ou fazem mais por uma obrigação da lei?” [ALEXIA] “A sociedade atual está muito mais preocupada em tornar tudo mais acessível, e em todos os lugares. Então, mesmo que a pessoa não seja usuária dos recursos de acessibilidade, saber que o evento que você está indo ou a empresa em que você trabalha tem essa preocupação é um ganho também para as marcas, não só uma obrigatoriedade […] Um exemplo negativo disso foi quando o jogo “The Last of Us” virou série, pois o jogo foi feito com o maior nível de acessibilidade, mas, quando virou série, foi exibido sem nenhum tipo de acessibilidade. E aí, pra você ver como a sociedade está empenhada em fazer essa cobrança, ele foi muito criticado. […] Existe uma cobrança social e não só obrigações legais.”   [GABRIEL] “É interessante pensarmos por esse viés, com 14 milhões de pessoas a mais, o lucro é maior para a empresa também, certo?” [ALEXIA] “Eu acho que não só o fato de vender, mas o fato de você conseguir promover eventos inclusivos, não é? […]  E também, pensando principalmente em TV, essa mesma pesquisa de acessibilidade mostra que também o próprio público deficiente tem dificuldade de acessar os recursos. Muita gente não sabe que existe. O público geral, sem deficiência, não sabe para que serve audiodescrição, closed caption, e o próprio público com deficiência às vezes não sabe acessar o recurso ainda. Então, precisa melhorar também a experiência. […] Vou falar de uma marca X. Como isso está no controle remoto? Está acessível no controle remoto? Tem alguns controles que já vêm até com os closed captions e audiodescrição livres e é só você clicar e já ativa na televisão. Mas tem alguns que parecem um labirinto, que eu mesma fico procurando e procurando e não acho.”   [GABRIEL] “Hoje, tanto para uma obra ao vivo ou gravada, quais são as principais ferramentas de acessibilidade que temos? Audiodescrição, Closed Caption e Libras?” [ALEXIA] “Vou falar um pouquinho dos três. O Closed Caption talvez seja o mais conhecido, porque é aquela legenda com fundinho preto, que tem, geralmente, indicação de falante, indicação sonora, que é realmente para alguém com deficiência auditiva ou baixa audição. A audiodescrição é voltada para pessoas com deficiência visual, neurodivergentes. Ela é uma descrição do que estamos vendo. Uma descrição de espaço, de personagens, das características físicas das pessoas, das ações. E Libras é a língua brasileira de sinais, também focada para pessoas com deficiência auditiva.   [GABRIEL] “E você falou em cinema, vocês têm um aplicativo também, né? O Trio Cinema.” [ALEXIA] “No aplicativo da Showcase, o Trio Cinema, você tem um catálogo de filmes. A distribuidora contrata a Showcase para colocar os filmes nesse aplicativo. E, quando a pessoa vai à sala de cinema, ela vai lá no aplicativo, baixa a acessibilidade que ela precisa, ao chegar na sala de cinema, quando inicia o filme, ela entra no aplicativo e pede para sincronizar, e aí automaticamente, do seu próprio celular, você consegue acompanhar o filme com a acessibilidade que você precisa.”   [GABRIEL] “Eu estava pensando aqui, você falando principalmente de eventos, não só do cinema, né? Porque, assim, quando a gente fala em acessibilidade, não é só acessibilidade PCD, né? Também tem acessibilidade, por exemplo, no evento, para quem está ouvindo uma palestra de outro idioma, né?” [ALEXIA] “Sim, com certeza! Pensando muito nisso, e junto com a Inteligência Artificial, desenvolvemos uma solução que faz tanto legenda de português para português, como também fornece legenda de tradução de qualquer idioma, […] com seis segundos de delay. É super rápido, em um nível de assertividade muito alto.”   [GABRIEL] “Você tem a perspectiva de uma TV 100% acessível nos próximos anos?” [ALEXIA] “Do ponto de vista da acessibilidade, a TV 3.0 é uma promessa muito boa, né? Porém, a gente tem algumas incógnitas. Como isso vai ser distribuído? Quem vai ter acesso a isso? Vai ser distribuído de que forma, né? Você vai ter um conversor, vai ter uma distribuição gratuita, vai ter que comprar, qual vai ser o preço? […] Então, eu acho sim que tem uma promessa de melhorar muito a questão de acessibilidade, mas eu acho que tem esse gargalo, né? Como isso vai ser distribuído.”   [GABRIEL] “A Inteligência Artificial está diminuindo os custos dessas implementações de acessibilidade?” [ALEXIA] “Sim. A Showcase usa a Inteligência Artificial desde que a gente começou. […] A gente entrou no mercado fazendo uma inovação técnica por conta da “Rede Neural”. E aí a gente conseguiu crescer nesse sentido. Antigamente o closed caption era feito por relocução humana. Hoje a gente já usa a Inteligência Artificial, que faz o reconhecimento de palavras. Claro, sempre tem um trabalho humano de qualidade, de validação, de abastecimento de dados. Então, assim, não é 100% inteligência artificial.”   [GABRIEL] “A gente tem várias tecnologias novas. Os deficientes participam desse desenvolvimento? Passa pelo crivo deles?” [ALEXIA] “Tem que passar, o certo é passar. Quando a gente vai desenvolver um aplicativo, a gente tem que convidar ou contratar alguém para validar esse aplicativo. […] No mundo ideal, é que tenham, sim, profissionais que sejam usuários daquela solução que a gente está fazendo.”   [GABRIEL] “Pensando em grandes empresas, o que a

Dia do Cinema Brasileiro: a importância de ver e se ver nas telas

Dia do Cinema

Na semana que celebra a sétima arte no país, ferramentas modernas integram Libras, audiodescrição e legenda para garantir autonomia ao público PcD. Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira. Nesta sexta-feira, dia 19 de junho de 2026, é celebrado o Dia do Cinema Brasileiro. A data marca a primeira vez que imagens em movimento foram gravadas com um cinematógrafo — um dispositivo mecânico acionado por uma manivela — no território nacional. As primeiras imagens, gravadas pelo italiano Afonso Segreto, capturaram o cenário da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Desde então, o cinema passou por diversas transformações tecnológicas e culturais. No entanto, a garantia de acesso às pessoas com deficiência (PcDs) só ganharia força mais de um século após a chegada do cinema ao Brasil. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), sancionada em 2015, enfim estabeleceu normas destinadas a assegurar e promover o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais das pessoas com deficiência, visando sua inclusão social e cidadania. No audiovisual, a acessibilidade é garantida principalmente por três recursos fundamentais, como indicado pelo blog “TecMundo”, em sua matéria “Como é a acessibilidade no meio audiovisual?”. • Audiodescrição (AD): narração que descreve imagens, cenários, ações e expressões para pessoas com deficiência visual; • Legenda Descritiva: textos que apresentam diálogos e identificam sons, ruídos e efeitos sonoros para pessoas com deficiência auditiva; • Libras (Língua Brasileira de Sinais): tradução visual do conteúdo para a língua de sinais. Com a ampliação da acessibilidade nas salas de cinema, o público passou a compreender melhor a importância desses recursos. Em uma matéria para o blog “Extra Classe”, a professora Lívia Motta, criadora do primeiro curso de formação para audiodescritores da USP, define a audiodescrição como “a arte de transformar aquilo que é visto no que é ouvido”, permitindo que pessoas com deficiência visual tenham acesso a informações sobre cenários, figurinos, expressões faciais, linguagem corporal e demais elementos visuais de uma obra. Para Moisés Bauer, cego, revisor de roteiros de audiodescrição e vice-presidente da Organização Nacional dos Cegos do Brasil (ONCB), a acessibilidade vai além das salas de cinema. Segundo ele: “Pessoas com deficiência visual devem ter a oportunidade de participar das atividades culturais e sociais de seus grupos, como ir ao cinema, ao teatro ou a museus, com condições adequadas para compreender as obras apresentadas.” Atualmente, empresas de comunicação investem em ferramentas que facilitam a implementação desses recursos. Um exemplo é o “Trio Cinema”, desenvolvido pela SHOWCASE PRO, que reúne audiodescrição, legenda descritiva e Libras em um único aplicativo, oferecendo uma experiência mais autônoma e acessível aos usuários. Entretanto, a inclusão não deve se limitar ao acesso ao conteúdo. A representatividade também precisa estar presente nas telas. Em entrevista ao portal “Diversa”, a professora Maria Paz Castro destaca que temas como capacitismo, questões de gênero e racismo têm ganhado espaço no audiovisual. “Pessoas com deficiência, antes praticamente invisíveis na mídia, hoje ocupam cada vez mais espaço em novelas, filmes e séries de grande alcance“, comenta Maria. Pensando nisso, reunimos algumas obras audiovisuais que abordam a deficiência e contribuem para ampliar a representatividade PcD: • “Amor no Espectro” — Netflix;A série acompanha pessoas com transtorno autista em sua jornada em busca de relacionamentos amorosos, explorando encontros, expectativas e desafios na construção de vínculos afetivos. • “Colegas, O Filme” — GloboPlay;O filme acompanha três amigos com síndrome de down que fogem do instituto onde vivem para realizar seus sonhos: ver o mar, voar e encontrar um grande amor. • “Crip Camp: Revolução pela Inclusão” — Netflix;O documentário retrata a experiência de jovens com deficiência em um acampamento de verão nos Estados Unidos durante os anos 1970 e mostra como muitos deles se tornaram protagonistas da luta por direitos, acessibilidade e inclusão. • “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” — GloboPlay;O filme acompanha Leonardo, um adolescente com deficiência visual que busca mais independência enquanto vivencia as descobertas da adolescência. • “Modern Love” — Prime Video.A série apresenta diferentes histórias sobre amor, amizade e relações humanas. Entre seus episódios, estão narrativas que abordam experiências de pessoas com deficiência e outras formas de diversidade.

Arena Brasileira terá Libras ao vivo nos shows de abertura e encerramento

Arena Brasileira

Festival une a torcida pela Seleção Brasileira a grandes shows nacionais, garantindo acessibilidade integral em Libras para todo o público no Ibirapuera. Por: Douglas Ferreira. Neste sábado, dia 13 de junho, terá início a Arena Brasileira 2026, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. O evento, que terá como atração principal o jogo de estreia do Brasil na Copa do Mundo da Fifa, contará com shows de abertura e encerramento de artistas como Ivete Sangalo, Banda Eva, Thiaguinho e outros. Em eventos culturais, a acessibilidade é mais do que lei, é dever social. Neste ano, o evento contará com Libras ao vivo para os shows de abertura e encerramento produzida pela SHOWCASE. Em nota, a empresa afirma o compromisso com o público que irá usufruir da acessibilidade: “Mais do que acompanhar os horários das atrações, nosso principal objetivo como parceiros do evento é garantir que a experiência seja acessível para todo o público. Por isso, toda a transmissão e os shows contam com a nossa interpretação em LIBRAS. Nossa equipe trabalha para interpretar o ritmo, as letras e a emoção de cada momento, integrando acessibilidade de forma natural à estrutura do evento.” A agenda de shows irá até o fim da Copa do Mundo e contará com shows até em datas sem jogos. Segue a agenda de eventos e atrações: DATA E HORA JOGO ATRAÇÕES 13/06 – 12h às 22h Brasil x Marrocos Ivete Sangalo e Péricles. 14/06 – 12h às 22h Não haverá jogo. Matuê, MC Cabelinho, Teto e Wiu. 19/06 – 15h às 00h Brasil x Haiti Anitta e Dilsinho. 20/06 – 15h às 22h Não haverá jogo. Caetano Veloso, Marina Sena e Silva. 24/06 – 13h às 22h Brasil x Escócia Turma do Pagode e Ludmilla. 27/06 – 12h às 22h Não haverá jogo. Os Paralamas do Sucesso, Jota Quest, Toni Garrido e Samuel Rosa. 29/06 – 11h às 22h 16-avos de final. Wesley Safadão e Léo Santana. 04/07 ou 05/07 A confirmar. Dennis e Natanzinho. 09/07 ou 11/07 A confirmar. Belo e Nattan. 12/07 – 12h Não haverá jogo. Vanessa da Mata, Ana Carolina, Lagum e IZA. 14/07 ou 15/07 Semi-Final. Sorriso Maroto e Léo Foguete. 18/07 – 13h Não haverá jogo. Marisa Monte, João Gomes e Jota.Pê 19/07 – 13h Final. Banda Eva e Thiaguinho.

Pressione Start para a Inclusão: O Papel da Mídia e da Tecnologia no Acesso aos Games

Click videogame

De um jogo criado para pessoas com “diferentes habilidades” até à Gamescom: A Longa Jornada da Acessibilidade nos Games. Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira. Em 1950, o físico e engenheiro canadense Josef Kates criou o primeiro jogo considerado acessível da história, o “Bertie The Brain”, uma espécie de “jogo da velha”, mas simulado por um computador de quatro metros de altura com uma inteligência artificial. Segundo especialistas da época, essa criação foi a primeira a incluir níveis de dificuldade, permitindo que o jogo fosse ajustado para pessoas com “diferentes habilidades”. De lá para cá, 76 anos se passaram, e o conceito de jogos e de inclusão evoluiu radicalmente, como é mostrado pela PlayStation no lançamento de The Last Of Us – Parte II, em 2020: “Desde o começo, o objetivo da Naughty Dog sempre foi proporcionar ao maior número possível de jogadores a oportunidade de vivenciar o jogo com os recursos de acessibilidade mais robustos existentes. The Last of Us Parte II inclui mais de 60 configurações de acessibilidade, com opções adicionais focadas na motricidade fina e na audição, além de recursos completamente novos para deficientes visuais”, diz nota da empresa. Dentro do jogo, configurações de acessibilidade visual, auditiva e motora podem ser ativadas conforme a necessidade de jogadores cegos ou com pouca visão; surdos ou com perda auditiva; e com deficiência motora. No último final de semana, entre os dias 30 de abril e 3 de maio, aconteceu um dos maiores eventos de game do mundo: a Gamescom, realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo. Com recorde de público e já consolidada como o maior evento de games da América Latina, a feira reuniu novidades do mercado, palestras e discussões ao vivo sobre o futuro dos jogos, além de partidas entre o público. Para que o máximo de pessoas possa se beneficiar com essas mudanças, é primordial que a forma de divulgação também seja acessível. E, para essa tarefa, o evento contou com a ShowCase, que contribuiu com closed caption ao vivo e tradução simultânea, levando acessibilidade e tecnologia para cada vez mais pessoas. É necessário esforço contínuo por parte da mídia e dos jogadores para que a acessibilidade em games continue evoluindo e o mundo dos games se transforme em algo acessível para todos.

TRIO CINEMA: tecnologia assistiva na democratização do acesso à sétima arte

TRIO CINEMA

O lançamento do aplicativo traz uma nova perspectiva acerca da acessibilidade diante da vivência cinematográfica. Por Andreza Pereira e Douglas Ferreira.        O avanço constante da tecnologia tem permitido que cada vez mais pessoas tenham acesso a conteúdos audiovisuais e culturais. Hoje em dia, aplicativos como o TRIO, desenvolvido pela ShowCase, permitem uma experiência personalizada, adaptada às necessidades de cada usuário em eventos e outros espaços culturais. Pensando nisso, recentemente foi desenvolvido o TRIO CINEMA, uma nova plataforma criada especialmente para aprimorar a experiência no ambiente cinematográfico.        Nathan Florencio, desenvolvedor da ShowCase e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do aplicativo, explica que o TRIO CINEMA conta com interface mais escura, o que facilita o uso em ambientes com pouca luz, como, por exemplo, uma sala de cinema. Além disso, o TRIO CINEMA foi desenvolvido com “Framework Expo”, uma base pronta que funciona como um “kit de ferramentas” e oferece funções que incluem bibliotecas de internet, gerenciamento de arquivos do celular, roteamento das telas e entre outras funcionalidades. Na prática, isso tornou o processo de desenvolvimento mais ágil e simples.        Em relação à navegabilidade, a plataforma possui uma aba que mostra os últimos arquivos de acessibilidade baixados. Após 24 horas da instalação, todo o material é excluído automaticamente, visando não ocupar tanta memória do usuário final. A audiodescritora Ana Beatriz Ramos comenta que o aplicativo é simples e de uso intuitivo: “Após sincronizar a sua acessibilidade com o início do filme, caso seja necessário sair e retornar à sala por algum motivo, é possível sincronizar novamente de forma rápida, sem perder o plot.”        Em suma, para além do acesso ao entretenimento, o TRIO ajuda o cinema a desempenhar um papel fundamental na redução de abismos sociais, democratizando esses espaços. No entanto, Ana conclui afirmando que o setor precisa seguir investindo em suporte técnico e assumir a responsabilidade pela oferta de recursos inclusivos:      “Em um país marcado pela desigualdade social, o cinema deve oferecer equipamentos de acessibilidade, com o objetivo de acolher aqueles que não possuem acesso por meio de aparelhos celulares”, afirma a especialista. Para ela, a união de esforços é o único caminho para que a cultura audiovisual alcance todos os brasileiros.

Dos rascunhos à prática: acessibilidade como compromisso social

Como o planejamento inclusivo transforma a experiência do público em democracia.Por: Andreza Pereira e Douglas Ferreira        Conhecido por atrair um grande público e reunir atrações diversas, o Lollapalooza se consolidou como um dos maiores festivais do país. A edição de 2026 tem data marcada para os dias 20, 21 e 22 de março. A grandiosidade da produção contribui para essa popularização, mas outro fator merece atenção: as iniciativas de acessibilidade, que impactam diretamente na experiência do público e ocupam um papel fundamental para garantir que todas as pessoas possam participar de forma confortável, segura e inclusiva.        Em eventos culturais, mais do que pensar na infraestrutura, é necessário garantir que todos os públicos sejam atendidos de maneira equitativa e estratégica. Esse planejamento envolve recursos como rampas e áreas reservadas, intérpretes de Libras, audiodescrição, sinalização adequada e comunicação clara sobre os serviços disponíveis. Esses exemplos de tecnologia assistiva, quando incorporados à concepção do projeto, contribuem para a promoção de um ambiente mais democrático e abrangente.       De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem aproximadamente 14,4 milhões de pessoas com alguma deficiência, o que corresponde a aproximadamente 7% da população brasileira. Esse dado reforça a importância de adaptar operações e iniciativas voltadas ao público às Leis Brasileiras de Inclusão e a outras normas ligadas à acessibilidade cultural. Ademais, seguir eticamente a legislação pode beneficiar a imagem da empresa produtora perante os órgãos governamentais e patrocinadores, à medida que demonstra responsabilidade social.       Para Wesley Lopes, da ShowCase, a qualidade da LIBRAS em eventos depende de uma sintonia fina entre intérprete e operador, além de áudio e internet impecáveis. O trabalho em dupla é essencial: enquanto um sinaliza, o outro oferece suporte imediato. Essa estrutura técnica atende a uma urgência social, visto que a LIBRAS é a principal, e muitas vezes única, via de informação para a comunidade surda não alfabetizada em português. “Esse serviço é essencial na vida do surdo, pois ele se sente incluído na sociedade. Além disso, há muitas coisas que a pessoa com deficiência auditiva deixa de consumir por não ter interpretação em LIBRAS, o que é uma pena”, completou Wesley.     É de suma importância que a experiência do público seja uma prioridade desde a etapa de planejamento. Garantir a isonomia e a democratização dos espaços é um princípio básico, que deve ser incorporado às práticas de diversidade e inclusão na concepção de eventos de qualquer natureza, possibilitando a participação plena de todos os indivíduos e contribuindo para a construção de ambientes mais acessíveis, representativos e socialmente responsáveis para as gerações futuras.