Dia do Cinema Brasileiro: a importância de ver e se ver nas telas

Na semana que celebra a sétima arte no país, ferramentas modernas integram Libras, audiodescrição e legenda para garantir autonomia ao público PcD. Por: Manuela Mineiro e Douglas Ferreira. Nesta sexta-feira, dia 19 de junho de 2026, é celebrado o Dia do Cinema Brasileiro. A data marca a primeira vez que imagens em movimento foram gravadas com um cinematógrafo — um dispositivo mecânico acionado por uma manivela — no território nacional. As primeiras imagens, gravadas pelo italiano Afonso Segreto, capturaram o cenário da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Desde então, o cinema passou por diversas transformações tecnológicas e culturais. No entanto, a garantia de acesso às pessoas com deficiência (PcDs) só ganharia força mais de um século após a chegada do cinema ao Brasil. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), sancionada em 2015, enfim estabeleceu normas destinadas a assegurar e promover o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais das pessoas com deficiência, visando sua inclusão social e cidadania. No audiovisual, a acessibilidade é garantida principalmente por três recursos fundamentais, como indicado pelo blog “TecMundo”, em sua matéria “Como é a acessibilidade no meio audiovisual?”. • Audiodescrição (AD): narração que descreve imagens, cenários, ações e expressões para pessoas com deficiência visual; • Legenda Descritiva: textos que apresentam diálogos e identificam sons, ruídos e efeitos sonoros para pessoas com deficiência auditiva; • Libras (Língua Brasileira de Sinais): tradução visual do conteúdo para a língua de sinais. Com a ampliação da acessibilidade nas salas de cinema, o público passou a compreender melhor a importância desses recursos. Em uma matéria para o blog “Extra Classe”, a professora Lívia Motta, criadora do primeiro curso de formação para audiodescritores da USP, define a audiodescrição como “a arte de transformar aquilo que é visto no que é ouvido”, permitindo que pessoas com deficiência visual tenham acesso a informações sobre cenários, figurinos, expressões faciais, linguagem corporal e demais elementos visuais de uma obra. Para Moisés Bauer, cego, revisor de roteiros de audiodescrição e vice-presidente da Organização Nacional dos Cegos do Brasil (ONCB), a acessibilidade vai além das salas de cinema. Segundo ele: “Pessoas com deficiência visual devem ter a oportunidade de participar das atividades culturais e sociais de seus grupos, como ir ao cinema, ao teatro ou a museus, com condições adequadas para compreender as obras apresentadas.” Atualmente, empresas de comunicação investem em ferramentas que facilitam a implementação desses recursos. Um exemplo é o “Trio Cinema”, desenvolvido pela SHOWCASE PRO, que reúne audiodescrição, legenda descritiva e Libras em um único aplicativo, oferecendo uma experiência mais autônoma e acessível aos usuários. Entretanto, a inclusão não deve se limitar ao acesso ao conteúdo. A representatividade também precisa estar presente nas telas. Em entrevista ao portal “Diversa”, a professora Maria Paz Castro destaca que temas como capacitismo, questões de gênero e racismo têm ganhado espaço no audiovisual. “Pessoas com deficiência, antes praticamente invisíveis na mídia, hoje ocupam cada vez mais espaço em novelas, filmes e séries de grande alcance“, comenta Maria. Pensando nisso, reunimos algumas obras audiovisuais que abordam a deficiência e contribuem para ampliar a representatividade PcD: • “Amor no Espectro” — Netflix;A série acompanha pessoas com transtorno autista em sua jornada em busca de relacionamentos amorosos, explorando encontros, expectativas e desafios na construção de vínculos afetivos. • “Colegas, O Filme” — GloboPlay;O filme acompanha três amigos com síndrome de down que fogem do instituto onde vivem para realizar seus sonhos: ver o mar, voar e encontrar um grande amor. • “Crip Camp: Revolução pela Inclusão” — Netflix;O documentário retrata a experiência de jovens com deficiência em um acampamento de verão nos Estados Unidos durante os anos 1970 e mostra como muitos deles se tornaram protagonistas da luta por direitos, acessibilidade e inclusão. • “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” — GloboPlay;O filme acompanha Leonardo, um adolescente com deficiência visual que busca mais independência enquanto vivencia as descobertas da adolescência. • “Modern Love” — Prime Video.A série apresenta diferentes histórias sobre amor, amizade e relações humanas. Entre seus episódios, estão narrativas que abordam experiências de pessoas com deficiência e outras formas de diversidade.
TRIO CINEMA: tecnologia assistiva na democratização do acesso à sétima arte

O lançamento do aplicativo traz uma nova perspectiva acerca da acessibilidade diante da vivência cinematográfica. Por Andreza Pereira e Douglas Ferreira. O avanço constante da tecnologia tem permitido que cada vez mais pessoas tenham acesso a conteúdos audiovisuais e culturais. Hoje em dia, aplicativos como o TRIO, desenvolvido pela ShowCase, permitem uma experiência personalizada, adaptada às necessidades de cada usuário em eventos e outros espaços culturais. Pensando nisso, recentemente foi desenvolvido o TRIO CINEMA, uma nova plataforma criada especialmente para aprimorar a experiência no ambiente cinematográfico. Nathan Florencio, desenvolvedor da ShowCase e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do aplicativo, explica que o TRIO CINEMA conta com interface mais escura, o que facilita o uso em ambientes com pouca luz, como, por exemplo, uma sala de cinema. Além disso, o TRIO CINEMA foi desenvolvido com “Framework Expo”, uma base pronta que funciona como um “kit de ferramentas” e oferece funções que incluem bibliotecas de internet, gerenciamento de arquivos do celular, roteamento das telas e entre outras funcionalidades. Na prática, isso tornou o processo de desenvolvimento mais ágil e simples. Em relação à navegabilidade, a plataforma possui uma aba que mostra os últimos arquivos de acessibilidade baixados. Após 24 horas da instalação, todo o material é excluído automaticamente, visando não ocupar tanta memória do usuário final. A audiodescritora Ana Beatriz Ramos comenta que o aplicativo é simples e de uso intuitivo: “Após sincronizar a sua acessibilidade com o início do filme, caso seja necessário sair e retornar à sala por algum motivo, é possível sincronizar novamente de forma rápida, sem perder o plot.” Em suma, para além do acesso ao entretenimento, o TRIO ajuda o cinema a desempenhar um papel fundamental na redução de abismos sociais, democratizando esses espaços. No entanto, Ana conclui afirmando que o setor precisa seguir investindo em suporte técnico e assumir a responsabilidade pela oferta de recursos inclusivos: “Em um país marcado pela desigualdade social, o cinema deve oferecer equipamentos de acessibilidade, com o objetivo de acolher aqueles que não possuem acesso por meio de aparelhos celulares”, afirma a especialista. Para ela, a união de esforços é o único caminho para que a cultura audiovisual alcance todos os brasileiros.