Como o planejamento inclusivo transforma a experiência do público em democracia.
Por: Andreza Pereira e Douglas Ferreira
Conhecido por atrair um grande público e reunir atrações diversas, o Lollapalooza se consolidou como um dos maiores festivais do país. A edição de 2026 tem data marcada para os dias 20, 21 e 22 de março. A grandiosidade da produção contribui para essa popularização, mas outro fator merece atenção: as iniciativas de acessibilidade, que impactam diretamente na experiência do público e ocupam um papel fundamental para garantir que todas as pessoas possam participar de forma confortável, segura e inclusiva.
Em eventos culturais, mais do que pensar na infraestrutura, é necessário garantir que todos os públicos sejam atendidos de maneira equitativa e estratégica. Esse planejamento envolve recursos como rampas e áreas reservadas, intérpretes de Libras, audiodescrição, sinalização adequada e comunicação clara sobre os serviços disponíveis. Esses exemplos de tecnologia assistiva, quando incorporados à concepção do projeto, contribuem para a promoção de um ambiente mais democrático e abrangente.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem aproximadamente 14,4 milhões de pessoas com alguma deficiência, o que corresponde a aproximadamente 7% da população brasileira. Esse dado reforça a importância de adaptar operações e iniciativas voltadas ao público às Leis Brasileiras de Inclusão e a outras normas ligadas à acessibilidade cultural. Ademais, seguir eticamente a legislação pode beneficiar a imagem da empresa produtora perante os órgãos governamentais e patrocinadores, à medida que demonstra responsabilidade social.
Para Wesley Lopes, da ShowCase, a qualidade da LIBRAS em eventos depende de uma sintonia fina entre intérprete e operador, além de áudio e internet impecáveis. O trabalho em dupla é essencial: enquanto um sinaliza, o outro oferece suporte imediato. Essa estrutura técnica atende a uma urgência social, visto que a LIBRAS é a principal, e muitas vezes única, via de informação para a comunidade surda não alfabetizada em português.
“Esse serviço é essencial na vida do surdo, pois ele se sente incluído na sociedade. Além disso, há muitas coisas que a pessoa com deficiência auditiva deixa de consumir por não ter interpretação em LIBRAS, o que é uma pena”, completou Wesley.
É de suma importância que a experiência do público seja uma prioridade desde a etapa de planejamento. Garantir a isonomia e a democratização dos espaços é um princípio básico, que deve ser incorporado às práticas de diversidade e inclusão na concepção de eventos de qualquer natureza, possibilitando a participação plena de todos os indivíduos e contribuindo para a construção de ambientes mais acessíveis, representativos e socialmente responsáveis para as gerações futuras.


