Por Natália Marques

Todas as imagens desse artigo possuem texto alternativo com a audiodescrição resumida (#pracegover).

O ouvido humano é um aparelho bastante complexo, são ossos, membranas e músculos que vibram com as ondas sonoras que recebemos e, assim, ouvimos; podemos perceber de onde está vindo um som, sua distância e quando há alguém ou algo se aproximando. Isso é resultado de uma união da ação do cérebro e dos ouvidos. E é claro, em pleno Século XXI o homem já está tentando – e com sucesso – reproduzir tal funcionalidade em máquinas para criar uma maior imersão auditiva em filmes, músicas e até mesmo para ser usado como tratamento alternativo.

Já vemos, em filmes principalmente, o áudio 5.1 – “surround” – que possibilita uma experiência mais próxima da realidade, já que, ao ser mixado, o áudio é separado em diversas caixas de som que ficam em torno do espectador, e assim, se na vida real o som estivesse vindo de trás do personagem, à esquerda, será exatamente na caixa de som posicionada nesse ponto da sala que o áudio sairá mais alto. No entanto, esse sistema depende da instalação da acústica correta, com diversas caixas de som, por isso é mais comum de encontrar esse tipo de sistema apenas em salas de cinema. 

#pracegover: Ilustração digital de uma sala. No ambiente, há caixas de som com representação de ondas sonora. Ao fundo da sala, há um telão transmitindo um desenho.

Mas os cientistas já criaram um modo mais simples para o público ter acesso à essa imersão auditiva, e só requer um par de fones de ouvido: o áudio binaural. “Mas por que fones de ouvidos e não caixas de som?”, porque usando caixas de som, o ouvido direito e esquerdo ouvem o som proveniente de ambos os alto-falantes; já os fones de ouvido separam os sons que são enviados para o ouvido esquerdo e direito – sendo que o que é audível em um não é audível no outro. O áudio binaural é um fenômeno que o cérebro produz pela mescla duas frequências diferentes, uma em cada ouvido. A gravação de um áudio binaural faz uma simulação da captação de sons pelo ouvido humano, por isso são necessários dois microfones (em alguns casos até 4), posicionados na distância média entre os dois ouvidos (18 centímetros). Muitos microfones profissionais projetados especialmente para a gravação de áudio binaural são montados dentro de um molde de cabeça humana para melhores resultados. 

Essa descoberta, porém, não é tão recente quanto se imagina; Heinrich Wilhelm Dove, em 1839,  descobriu que quando duas frequências diferentes são enviadas separadamente – uma para cada ouvido – o cérebro percebe a diferença e tenta harmonizá-la com o funcionamento dos hemisférios esquerdo e direito. Isso resultaria em ganhos terapêuticos: agiliza a aprendizagem; favorece o sono; aprofunda a meditação; libera endorfina; controla a ansiedade e melhora a concentração. É possível encontrar diversos áudios binaurais na internet, cada um com uma funcionalidade terapêutica diferente. Além dessa aplicação, os áudios binaurais também avançam para a área do entretenimento: a SennHeiser – empresa alemã fabricante de equipamentos de áudio, como fones e microfones -, realizou um curta-metragem no qual o áudio foi todo capturado com microfones binaurais; ele está disponível no youtube gratuitamente, basta buscar “Final Stop: A 3D audio thriller”, plugar os fones de ouvido e se divertir.