Por: Gabriel Vieira

Seis bebês, a cada mil nascidos, são surdos, e o incentivo precoce a língua de sinais pode resultar em melhores condições para as futuras crianças

Crianças, surdas ou ouvintes, estimuladas ao uso da linguagem de sinais desde os primeiros meses de vida, são mais confiantes, afirma pesquisa realizada pelo Dr. Joseph García, especialista em desenvolvimento infantil. Conhecido como “avô da linguagem de sinais para bebês”, o médico e intérprete tem se dedicado, após anos de aprimoramento do estudo publicado em 1986, à popularização da metodologia.

Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia, IBGE, diz que, no Brasil, a cada 200 bebês que nascem, três são surdos. É a chamada surdez congênita, desenvolvida pelo bebê, por conta dos mais variados fatores, durante a gestação ou nos primeiros dias de vida. Por outro lado, somente dois dos aproximadamente 200 milhões de brasileiros são fluentes em Libras, a linguagem brasileira de sinais. Este dado, junto ao de que, no país, um total de 5% da população possui surdez em algum estágio, evidencia a necessidade de se melhor trabalhar a questão da comunicação com a comunidade surda nas terras brasileiras.

A interlocução entre ouvintes e surdos é o melhor método de inserção deste grupo na sociedade, pois é ela o meio mais eficaz pelo qual se pode possuir noção a respeito das necessidades desta parcela tão grande e, ao mesmo tempo, tão marginalizada, da população.

O princípio básico da linguagem de sinais – pois se fala em um contexto mundial, mas, no nosso caso, de Libras – é a associação de gestos e expressões faciais a objetos e ações. Fator, segundo o estudo do Dr. García, capaz de ser desenvolvido também por bebês de até um ano de idade, surdos ou até mesmo ouvintes. No contexto dos bebês surdos, o resultado se daria na maior agilidade do processo de aprendizado da linguagem, evitando, então,  perdas importantes no período da chamada primeira infância, quando, comumente, se dá a adesão à linguagem de sinais.  Já no de crianças ouvintes, também importante de se ressaltar, no melhor desenvolvimento da fala, pois “bebês gesticulantes podem ter muito mais a dizer quando se inicia a fala”, uma vez que tiveram seus respectivos processos de construção de vocabulário iniciados com antecedência. Além, em ambos os casos, no fortalecimento dos laços familiares e maior autoestima da futura criança, que tende a se portar de maneira muito mais confiante ao longo da vida, participando ativamente de todas as fases essenciais para o seu desenvolvimento intelectual.

Este processo deve ser realizado de maneira a explorar os sentidos sensoriais do bebê. Uma vez que ele ainda se encontra em processo de desenvolvimento e conhecimento das coisas ao seu redor, ele estabelece, de maneira subconsciente, a sensação resultante de determinado estímulo e o relaciona com o preceder dela. Logo, se um adulto tiver o costume de apresentar ao bebê o gesto em  Libras dos objetos de interação com o tato, olfato ou paladar do bebê, como, por exemplo, através da introdução de um novo alimento na rotina alimentar, fará com que ele guarde em sua mente o gesto que antecede esta experiência, determinado ato, e com o tempo, passe a reproduzi-lo de acordo com o seu sentimento, conforto ou desconforto, perante o gesto. Segundo o estudo realizado com centenas de famílias ao longo dos anos, ele se torna capaz de solicitar ou negar algo, graças a uma relação direta entre gesto e sensação.

Referência bibliográfica

Site oficial do dr. Joseph García (https://drjosephgarcia.com/).

Vilma Medina, mestre em necessidades e direitos da infância e adolescência (https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/aprendizagema-linguagem-dos-sinais-para-os-bebes/) Flávia Calina, ex-professora de educação infantil (https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/aprendizagema-linguagem-dos-sinais-para-os-bebes/).