Por Juliana Pires

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O método Braille foi criado em 1824 por Louis Braille, um estudioso que ficara completamente cego aos cinco anos de idade em decorrência de um acidente. Apesar de sua limitações, Braille dedicou a vida a estudar e pesquisar as grafias sonoras para criar um método que corrigisse as limitações e dificuldades dos anteriores já existentes.

#PraCegoVer Audiodescrição resumida: Fotografia de uma placa de metal. Nela, há escritas em braile.

Mas foi somente em 1829 que a primeira edição do método foi publicada. Em 1854, dois anos após a morte de Braille, o método foi oficializado pelo governo francês, e, um ano depois, apresentado ao mundo. Em 1856 o método chegou ao Brasil, onde há apenas quatro instituições que imprimem em braille, dentre elas estão o Instituto Benjamin Constant, a Fundação para o Livro do Cego, e a Fundação Dorina Nowill para Cegos

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), no Brasil, há seis milhões de pessoas com baixa visão e 582 mil cegas. Apesar do grande número de pessoas com deficiência visual, há pouca edição de livros em braille, tornando escassa as opções de títulos e autores para os cegos.

A União Mundial de Cegos estima que somente 5% das obras literárias são transcritas para o braille nos países desenvolvidos; já nos países mais pobres, essa porcentagem cai para apenas 1%.

Alceu Kuhn, cego, um dos diretores da ONCB (Organização Nacional de Cegos no Brasil) e representante da organização na Comissão Brasileira do braille, estima que, no Brasil, a quantidade de obras literárias escritas no método é ainda menor que 1%. “Hoje, a transcrição que acontece no Brasil é predominantemente de livros didáticos. A literatura é muito carente de braille”, relata Kuhn.

Apesar da legislação, a presença de livros em braille é pouca nas livrarias e bibliotecas, mesmo sendo indispensável para a alfabetização de cegos. E mesmo com a autorização do Ministério da Educação para a transcrição em braille de vários livros para a rede de ensino público, ainda não é o suficiente e não atende completamente a demanda. “Visitando as bibliotecas públicas e as instituições que mantêm programas de assistência ao cego, constatei que faltam títulos, especialmente para o público infanto-juvenil. E é claro que isso prejudica o aprendizado das crianças. Além dos livros gravados em fita, elas precisam treinar a leitura, por meio do tato”, Afirma Gisele Pecchio Dias, jornalista e escritora.

Para vencer a escassez de livros transcritos em braille, é necessário que juntos, tanto cegos e pessoas com baixa visão, quanto pessoas sem deficiências visuais, lutem pela causa e façam com que suas vozes sejam ouvidas, para que, assim, mais de 6,5 milhões de pessoas possam ter acesso à literatura a partir da escrita em braille. É hora de exigir, de mostrar a necessidade, de não se deixar calar, de persistir, e, acima de tudo, de se unir para conseguirem essa vitória.